Não há planos, nunca houve um plano – Entrevista, Oathbreaker

Eu já falei um bocadinho sobre essa banda aqui no blog, mostrei clip; cartaz de tour e o escambau. Tá meio que no topo da lista de “descobertas +- recentemente” e eu indico pra qualquer pessoa de bem nesse mundo da camisa preta e bufenta, o bagulho é tenso, denso e chei de raiva. Dai, corri atrás desse papo e rapidamente vieram as respostas, bem formais até. Elas estavam esperando eu criar vergonha na cara o tempo certo para serem publicadas. Quem respondeu o lance foi o Ivo, que toca bateria na banda. E rapidamente nós falamos sobre coisas que foram, de certa forma, pouco abordadas em outras entrevistas que a banda já fez por ai. Lá vai…

Le Guess Who festival, Utrecht, Saturday 1st of December with Amenra. Pic by Tim van Veen

H – Eu tenho notado que bandas mais “metálicas” e “dark Hardcore” tem ganhado popularidade,  há até uma certa onda de posts mais ou menos do tipo “como se vestir como um crustie” em blogs… não que o punk não seja moda desde sempre. Maaaas, estamos lidando com uma torrente disso e de alguma maneira uma ou duas bandas estão sendo beneficiadas com essa coisa toda. Vocês acham que se enquadram nessa categoria? Vocês veem algum problema nisso?

Ivo – Existem posts ensinando a como se vestir igual a um crustie? É a primeira vez que eu escuto algo sobre isso! Eu não sei se a gente se encaixa em algum tipo de modinha, nós definitivamente nunca tentamos ser parte de uma. Começamos em 2008 tocando o que a gente queria tocar e continuamos apartir disso. Não é novidade que pessoas vão sempre querer se encaixar em movimentos undergrounds, eu só posso esperar que as pessoas entendam que nós somos uma banda verdadeira. A única razão pela qual a Oathbreaker existe é porque nós queremos que ela exista e nós precisamos que ela exista. Não há planos, nunca houve um plano.

H – Dividir o guitarrista com a AmenRa faz com que as pessoas esperem um som atmosférico e denso. Ao fazer um álbum inteiro baseado no siginifcado das cartas do tarô, eu acho que a banda contribui para essa ideia. Mas essa é a meta da OathBreaker, atingir tanta densidade que chegue a beirar um tipo de espiritualidade?

Ivo – Eu acho que há espiritualidade em todas as coisas, tudo depende de como você experiencia algo pessoalmente. Eu sou ateu, mas para mim a música é algo espiritual. Tendo isto sido dito, eu acho que Caro queria contar uma história pessoal em Mæstrøm e usou as imagens do tarô como base para as letras porque ela sentiu similaridades entre o que nós queríamos dizer e o que as cartas siginificam. No momento em que você faz algo de forma muito pessoal, isso quase que automaticamente se torna espiritual. Mas não é a nossa meta, é algo que acontece.
H – Como eu disse antes, e qualquer pessoa que busca informações sobre a banda sabe, Mæstrøm foi inspirado pelo siginificado das cartas do tarô. Vocês pretendem continuar produzindo álbuns “conceituais”? Como por exemplo “uma música para capítulo deste livro” ou algo do tipo?

Ivo – Na verdade, não. Produzir um álbum é um processo que demanda muito e você nunca sabe ao certo como vai ser. Fazer um álbum é um trabalho árduo, sacrificante e onde você espera que no final tudo consiga se encaixar. Nós estamos próximos à gravação do nosso próximo trabalho e mesmo nesse ponto, eu não tenho certeza de como vai ser.

H – Vocês lançaram o Mæstrøm, que recebeu ótimas críticas, e tocaram num monte de lugares; quais os planos para 2013.?

Ivo –  Em março, nós iremos gravar nosso próximo álbum no GodCity Studios em Salem, MA. Pouco depois, temos alguns shows marcados aqui e ali, mas além disso; nós não sabemos. Nosso foco principal agora é finalizar o álbum, o resto pode esperar.H – Os vídeos de Origin e Glimpse of the Unseen são desgraçadamente intensos, há uma bela simplicidade obscura neles, e vocês parecem ser bastante cuidadosos com os aspectos visuais da banda. Fotos, Flyers e tal… quem os cria e como vocês enxergam este lado da Oathbreaker?

Ivo – Tudo que você mencionou foi criado por pessoas diferentes, mas obviamente você sempre escolhe trabalhar com pessoas com as quais você se conecta. Algumas coisas foram nós mesm@s, algumas outras foram outras pessoas. Mas no fim das contas, você tem que se sentir confortável com tudo. Nós tentamos colocar tanto esforço no aspecto visual quanto colocamos na nossa música, porque os dois lados precisam trabalhar juntos e não um contra o outro.
H – Provavelmente a cena belga não é muito bem conhecida aqui no Brasil, como provavelmente a brasileira não é na Bélgica. O que você pode dizer sobre ela, de selos a pivetes com patches nas camisas? E sobre vir de um lugar que não é, digamos assim, focado pela cena hardcore mundial?
Ivo – Como a maioria das cenas, a belga vem e vai em ondas. Algumas vezes, nada acontece e de repente todas as peças se juntam e você tem uma cena hardcore fervilhando. Exatamente agora a cena está bem pequena e inativa, mas eu tenho uma sensação de que alguma coisa vai acontecer e tirar todo mundo dos seus lugares. Além disso, há bandas realmente muito boas atualmente na Bélgica. Procure Rise and Fall, AmenRa, Hessian, Blind Faith, The Black Hearth Rebelion, Toxic Shock, Imaginary Dictionary, Reproach
H – Caro possui uma voz capaz de atingir timbres ásperos e bonitos, como dá pra sacar no Mæstrøm, e provavelmente já perguntaram pra vocês mais de uma vez se há planos de explorar mais isso. Então, há?
Ivo – Nós tentamos evoluir nosso som como banda e tentamos explorar novas ideias e direções. Na música Agartha, que nós fizemos para o Split com a AmenRa, nós já experimentamos como vocais diferentes, se parecer adequado; nós certamente tentaremos outras coisas também.

H – A cena hardcore está imbricada com uma boa dose de política, ou de pessoas que pensam que estão mudando o mundo. Em entrevistas , vocÊs mais de uma vez disseram que isso não faz parte da Oathbreaker como um grupo, mas vocês como indivíduos possuem algum tipo de envolvimento. Então, não dá para negar que isto acaba influenciando a banda de alguma forma, como?

Ivo – Na verdade não influencia. Oathbreaker são quatro pessoas diferentes com perspectivas diferentes e históricos diferentes, mas nós encontramos nossos pontos em comun na nossa amizade. É claro, tudo que nós fazemos/dizemos como indivíduo sempre será ligado à Oathbreaker, mas até agora isto não foi um problema.
 
H – Se há alguma coisa que você queira dizer para as pessoas no Brasil que não conhecem e gostam da Oathbreaker…
Ivo – Sim, eu falei para vocês sobre a cena da Bélgica, me digam algo sobre a cena do Brazil! Obrigado pela entrevista eu estou lisjogeado pelo fato de que pessoas a meio mundo de distância se importem com coisas que nós criamos durante nossos ensaios.

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