Bom dia e boas festas.

Video curto dum tipo de rolé que deveria acontecer mais frequentemente

 

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Pausa

Porque sabe-se muito bem que, no carnaval, sair de preto é suicídio.

Pintura das camisas domingo pela manhã, na subsessão localizada no bairro da Mustardinha; Recife.

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Não deixe o grind moreeeeerr!! Não deixe o grind acabaaaarr…


Sobre nós mesmxs, Parte III

Finalmente voltamos a publicar mais uma das mini entrevistas dessa série “Sobre nós mesm@s” e tamo na agulha pra mais algumas… do mesmo jeito de sempre. Se você não sabe muito bem do que se está sendo falado aqui, pode-se dizer que é um projeto de investigação sobre isso onde estamos tod@s metid@s… em doses moderadas e sob a perspectiva de pessoas também de dentro do lance; com a pretensão de virar um zine em papel pra ser rodado por ai e tudo mais. Caso você queira dar uma sacada nas outras entrevistas da série: dá um siligue aqui e aqui.

Quem empresta a voz e as ideias dessa vez é o Poney: que é da Violator, da Cidade Cemitério, mantém um lance chamado Distrito Vegetal; um blog pra quem é VEGetariANO se inteirar de um monte de coisas e conhecer lugares bacanas desses Brésyilzão; especialmente do DF; e sei lá mais o quê. Essa entrevista foi mandada pro Poney no começo de 2012, respondida na metade do ano e só tá sendo publicada agora em 2013… o Ultraman Tiga quis assim, sério. Antes tarde do que mais tarde, certo? Queria aqui pedir desculpas ao cara pela demora em publicar o lance, enfim. Algumas coisas podem parecer sem nexo, mas foi assim mesmo que ele respondeu : ]

Sem mais delongas.

Então, sou o Poney respondendo aqui o Hipercinza 5 perguntas, foi mal pela demora. Então beleza, vamo ai.

H – O hardcore possui uma ligação muito íntima com ativismo, militância e apoio a diversas causas, contudo não é dificil se virar pros lados e perceber um monte de banda que possui um discurso vazio ou fazendo algo muito distante, até mesmo oposto, ao discurso das suas letras algumas vezes: comofaz?

Poney – Bem, não faz na verdade né? Não sei, eu acho. Costumo brincar que faz parte de um saudável desencantamento do mundo a gente perceber as contradições,  os limites e mesmo os problemas desse meio que a gente gosta. Eu relaciono muito a cena a uma comunidade, apesar de muitas pessoas terem visões diferentes do que seria isso.  De qualquer maneira, ao mesmo tempo que você diz que o hardcore possui essa ligação muito íntima com militância, ativismo e apoio a diversas causas; o hardcore também possui uma ligação muito íntima com um “tentar se disfarçar de uma coisa melhor do que ele é”. Eu acho que a gente tem que ser muito crítico em relação a isso. É muito comun , especialmente quando a gente é mais novo, a gente se encantar. E é legal pra caramba esse momento em que a gente vê este espaço como um espaço onde as coisas podem ser melhores, diferentes e tudo mais. Mas, conforme o tempo vai passando,  a gente vê que os privilégios, as relações de poder e todas as coisas horríveis do mundo lá fora estão nesse nosso microcosmo aqui também. Acho que a nossa, a minha vontade; não vou dizer “tarefa” por que tarefa é horrível, tarefa tem a ver com dever de casa e é tudo coisa ruim. Eu não gosto desses imperativos categóricos, mas eu acho que as minhas vontades e os meus desejos, prefiro colocar em termos de vontades e desejos, são de tornar este espaço melhor. Um espaço mais igualitário; um espaço melhor; um espaço mais justo; um espaço mais aberto; um espaço mais livre. Mesmo que toda essa liberdade, esse sonho seja uma coisa impossível , seja uma coisa inalcançável, uma utopia distante.

Mas é de alguma maneira aquilo que o Galeano fala “essa esperança torta que a faz a gente continuar andando, faz a gente continuar se movendo” e eu acho que tornar este espaço melhor tem tanto a ver com reconhecer as nossas limitações, reconhecer os problemas e tudo mais. Reconhecer que nem tudo é assim e também, de repente, eu acho que como uma postura ética pessoal, tentar ser menos juiz mesmo assim, sabe? Se você leva essa coisa do ativismo, militância e apoio a diversas causas como algo importante pra sua vida, eu acho que isso ai pode muitas vezes estar independente da comunidade hardcore, da comunidade punk. Tem pessoas que nunca escutaram Crass e estão super envolvidas com várias causas e tem gente que, sei lá,escutou discharge a vida toda e é um babaca. Acho que não necessariamente uma coisa está ligada a outra. Eu gosto que estas coisas estejam conectadas, na minha vida elas estão conectadas. Me encanta uma ética que procura estar certa, mas não necessariamente cobrar que as outras pessoas tenham as mesmas posturas que você, eu não gosto essa coisa de cobrança. Como fazer talvez seja, não tô pregando aqui uma espécie de tolerância infinita, eu acho que a gente tem que ser intolerante com várias coisas. A gente tem que ser itolerante com homoofobia, intolerante com cristianismo, intolerante com misoginia intolerante com racismo, intolerante com todas essas cosias. Não é pragente entrar nesse discurso bobo e ingênuo de liberal de “vamos deixar as pessoas para expressarem todas as suas vontades , as suas opiniões”. Não, se a gente tá criando no nosso espaço,  a gente quer que este espaço seja, eu pelo menos, nessa criação, fazer parte dessa comunidade é uma constante criação, eu acho que tem a ver com tornar este espaço o mais acolhedor possível pra todo mundo e ai é claro que a gente não vai tolerar atitudes como estas, atitudes violentas, discursos de ódio e nada do tipo. Mas ao mesmo tmepo o que eu quero dizer é que a gente não tem que entrar numa atitude de trasnformar isso numa espécie de ética policialesca, que também é péssimo na verdade, o que pra mim é mais interessante é tentar que a política revolucionária, ou como você queira chamar, que a política radical seja um etrno desejo nosso, que essa militância ,que esse envolvimento seja um eterno desejo, que a gente se sinta interessado em fazer  esse tipo de trasnformação nas nossas vidas e no mundo a nossa volta. Não necessariamente fazer isso com resignação, como uma obrigação chata ou coisa do tipo. Bem, não sei se o que eu falei tem muito sentido, mas eu gostaria de dizer que todas essas cico perguntas eu talvez responda de um jeito meio confuso, cheio de contradições, mas eu acho que todas essas cinco perguntas são mais perguntas pra levantar questões e debates que pra a gente ter alguma resposta final acho que sua ideia não era muito essa assim.

H – Muitas bandas, além de todo o envolvimento com a “cena” em geral, tornam-se co-responsáveis pela construção das subjetividades dos indivíduos envolvidos com o underground. Como não tornar o discurso de transformação individual presentes nisso, no underground, uma outra prisão para os próprios pensamentos? Visto que isto é bem corriqueiro.

Poney – Bem, não sei. Acho que a gente tem q tentar manter uma eterna postura crítica mesmo, assim, eu acho. De questionar e não cultivar nenhum tipo de idolatria, nenhum tipo de endeusamento de ninguém que esteja nem mesmo na nossa própria comunidade. Nem mesmo a nossa própria cena. A nossa própria comunidade pode virar esse ídolo, esse deus, esse espaço intocável. Eu acho que tudo tá sempre sujeito à crítica, a ser questionado, balançado, e eu acho que manter isso é bastante importate assim. O problema é que, de repente, a própria postura crítica vira esse dogma inabalável e as pessoas acabam se tornado umas chatas também né? Eu acho que tá ai um desafio no balanço dessa coisa, mas eu acho que é bastante comun isso ai que você falou. As pessoas acabam trazendo este discurso de transformação individual como uma prisão pros próprios pensamentos. A ideia de você quebrar os muros dessa prisão sem muros é se manter sempre questionando, sempre aberto, se permitir pensar outras coisas e se questionar. Eu acho que isso tem muito a ver com manter a horizontalidade das relações, manter uma horizontalidade na vida.

Outra coisa que eu acho que é FODA, não é exatamente o que você comentou, mas eu acho que a gente fica muitas vezes no hardcore e no underground atrelado a um discurso de transformação individual que, de repente, vê política como essa coisa estritamente pessoal. Eu acho que é uma visão sencacional, eu acho que é uma das grandes revoluções dos anos 70 pra cá, da contracultura, do feminismo, que é você relacionar política e a vida cotidiana. Que é você extrapolar, você implodir as barreiras entre o que é pessoal e o que é político mas eu acho que é mais interessante quando você consegue combinar isso com uma comunidade. Talvez isso tenha a ver com a próxima pergunta, mas de qualquer maneira: política é você comer alguma coisa diferente, é você fazer um prato diferente, você andar de bicicleta é política também. Mas é que nem tem aquela música do jazus lá “se cada um fizer a sua parte, porra nenhuma vai mudar”. Eu acho que é mais ou menos assim mesmo, a gente precisa de articulações que extrapolem as nossas ações individuais e cotidianas pra de alguma maneiras chacoalhar e mudar determinadas estruturas poder. Porque a gente nã o tá falando só de, bem; é claro que; bom a gente tá sempre falando de; a gente escuta  que nem papagaio louco no hardcore sobre “transformação pessoal” “revolução pessoal” “a revolução começa com você”, mas tudo isso é sencacional. Eu me afilio e assino embaixo de tudo isso e eu realmente acho que a gente tem que começar mudando a gente mesmo, mas só pensar em se mudar não é o suficiente. A gente tem que pensar no mundo que tá a nossa volta.

H – O D.I.Y é, até onde eu sei, uma postura que surge/se desenvolve dentro do  cenário punk, como uma forma de agir para além das estruturas de mercado, e em sua absorção pelo mesmo demônio que bradava combater ultrapassou as fontreiras do nicho no qual surgiu. De uns tempos pra cá, e bota tempo nisso, começa-se a pensar em Do It Together como uma forma de extrapolar o D.I.Y, este é o caminho ou são apenas mais 3 letras para uma camisa cool qualquer?

Poney – Bem, eu nunca vi essa coisa do Do It Yourself como uma coisa solitária não. Eu acho que a gente pode dar diversos significados pra isso e o siginifcado que eu penso sempre que a gente tá falando de Do It Yourself é um sentido coletivo pra isso. Então, de alguma maneira esse Do It Together estaria dentro disso, eu acho. O que eu acho que falta, mas que a ênfase no youself ou no together é a ênfase no do, é a ênfase no fazer, por que eu acho que faça você mesmo tem a ver com fazer e a gente muitas vezes se esquece disso, muitas vezes é chato e tem muitas dificuldades e dá trabalho pra caralho e a gente muitas vezes se lasca. É trabalheira pra caramba, eu acho que falta muita ênfase no fazer. Não que eu queira pregar qualquer tipo de ética do trabalho, nem nada do tipo. Eu acho que essa ética do trabalhador calvinista é a ética que mais se casa bem com o capitalismo. Eu acho que a gente não vai conseguir combater essas coisas estabelecendo um ritmo de bater ponto no underground, ou qualquer coisa do tipo. Transformando isso em profissão, trabalho, cobrança, nem nada do tipo. A ênfase no fazer não necessariamente tem a ver com profissionalizar e transformar em trabalho a nossa produção de contracultura, mas eu acho que tem a ver com produzir. É importante que a gente tenha enfase na produção, em fazer as cosias. Criar. Eu acho que isso falta mais que o sentido de comunidade que pra mim sempre esteve muito forte. E como eu falei, eu  vejo essa cena como uma comunidade. Esse nosso espaço de fazer as coisas junto sempre vi dessa forma.

Assim como é  Do It Youself, mas certas palavras podem receber sentidos diferentes dependendo das pessaos que tão falando. Autonomia, por exemplo; que é um conceito que eu acho que está completamente ligado à essa ideia do faça você mesmo. A autonomia pode ser uma coisa super babaca de virar uma ideia de um quase “auto policionamento” de você de alguma maneira introjetar todas as regras de conduta sociais em você de alguma maneira. E você não precisar de nenhuma tutela exterior. E você mesmo vai se tutelar e seguir de acordo com as normas, o que seria o estágio último da sociedade de controle que o Deleuze fala, esse estágio último, esse policionamento. A não necessidade das instituições disciplinares, a não necessidade da escola, do professor, da prisão, da políca, porque você mesmo faria esse papel de polícia, de professor, de pai de todas essas coisas essas coisas horríveis. Então, autonomia pode ter esse sentido horrível . Mas, pra continuar, pode ter um sentido maravilhoso que é de alguma maneira você criar as suas próprias normas e de alguma maneira não pensar em autonomia como uma independência total. Mas como, na verdade, uma dependência das pessoas daqulea comunidade e de uma criação comunitáira. Bem, eu acho que este exemplo da autonomia tem tudo a ver com o Do It Yourself e é mais ou menos isso, mas é claro. Talvez algumas pessoas entendam do it yourself como uma coisa egoísta, solitária, misantropa talvez. Mas eu sinceramente não vejo dessa forma, nunca vi. Eu vejo como uma criação comunitária o Do It Yourself como uma tentativa de retomar as produções. Colocar as nossas vidas nas nossas mãos, de alguma forma.

Claro que também, ligada àquela pergunta número um, também não é uma coisa de a gente achar que pelo fato dagente estar gravando uns discos ou tocando as nossas músicas a gente tá fazendo uma grande revoluçao e mudando todo o mundo. Acho que talvez no dia que a gnete estiver construindo as nossas próprias guitarras movidas a energia solar ou alguma coisa do tipo a gente pode se achar um pouco mais. Por enquanto, é uma maneira dagente repensar, retomar um pouco mais as nossas vidas na medida que a gente consegue. Sempre , claro que sempre tem estruturas que são muito maiores que a gente e que a gente sempre vai buscando um espaço pra escapar, sempre tem um espaço pra escapar . isso é o que eu acho importante pensar, sempre tem um espaço pra o desvio e a gente vai desviando da maneira que a gente consegue. As vezes, organizar um show, escrever um texto,  é a maneira que a gente consegue se desviar. Mas tem muitas e muitas maneiras . O desvio é justamente aquela coisa que pode fugir a qualquer armadura.

H – Bem, este aqui é um troço que sai apenas na internet e todos já estamos cansados de ler sobre a relação do mercado de música e rolé underground com ela. Maaaaass: hoje as bandas só mostram seu som na internet, shows são divulgados apenas na internet, shows ocorrem apenas para a internet, coletivos; lojas; zines tudo migra para a internet, internet, internet… todo mundo que é grandinho sabe: ela não está ai para todos e não é essa linda terra livre: yay?

Poney – É, pois é: muito complicado isso mesmo. O que você falou é perfeito, a gente é grandinho e a gente sabe de todos os problemas e contradições da internet . A gente é grandinho o suficiente pra saber que a tecnologia não é neutra. Que este discurso de que existe neutralidade nas técnicas é conversa pra boi dormir. Mas ao mesmo tempo eu não acho que seja uma coisa necessariamente fechada. Como você tem o Hipercinza, ou outras pessoas tem outros espaços, a gente consegue de alguma maneira ir torcendo isso. Tá em disputa, assim como existe espaço pro desvio, existe espaço pra disputa. A gente pode tentar transformar isso numa coisa melhor, numa coisa mais bacana. Eu acho que tem prolemas, mas a gente tem coisas bacanas na internet também. A gente tem uma distribuição de música livre, a gente tá trocando essa ideia agora por meio disso. Então, a gente tem que pegar os pontos em que a gente consegue torcer e tentar torcer eles até ranger, mas sempre consciente desses limites. Eu acho que o importante é isso. Eu acho que é não se iludir com essa aparente liberdade, essa aparente liberdade é a falsa propaganda liberal. É exatamente a mesma propaganda que provavelmente vai pregar que existe uma mão invisível  do mercado que ninguém precisa regular e que ela vai se auto regular sozinha e que as coisas vão pender para as melhores trocas e negociações mais justas e tudo mais, que o mercado e o capitalismo financeiro funciona independente de algum tipo de regulação por que ele é a soma das vontades individuais e tudo mais .

Acho que não é o foco aqui, mas eu acho que sses discursos são mito conectados, então a gente ter noção dos limites é alguma coisa. Pra mim particularmente, toda essa coisa do punk e do rock em geral é uma coisa muito corporal assim é muito corpo e é muito biológico assim. O show as vezes pra mim tem muito a ver com essa coisa corporal, depois de um show do Violator eu fico completamente esgotado. Por que pra mim tem a ver com isso, tentar promover uma troca de energia com as pessoas que estão ali que é muito intensa pra mim e que me acaba depois, então, pra mim ainda continua sendo uma coisa muito corporal e o mais importante é a troca que esse nosso subterrâneo promove essa troca de energia. E lá a gente tem troca de ideias também, a gente troca várias coisas. E ai talvez tenha a ver com a primeira pergunta ainda assim, que muitas vezes, sei lá… agora mesmo eu tô lendo a auto biografia do Jhonny Ramone, tava lendo agora ha pouco antes de responder essa entrevista e o cara é o cara mais reacionário do mundo. É o mais babaca americanóide que você possa imaginar, mas ao mesmo tmepo, como diz um amigo meu Daniel, ele falou isso pra mim pouco antes deu começar a ler o livro e isso na verdade foi uma das coisas que me deu vontade de ler o livro. De alguma maneira, mesmo sendo esse republicano babaca ele conseguiu criar um jeito de fazer música que colocou a juventude, os jovens num anseio por liberdade. Então, as vezes as coisas podem não ser tão explicitamente militantes ou tão explicitamente relacionadas com ativismo, mas simplesmente aquele amplificador estourando de distorção pode ter algum gatilho transformador nas nossas vidas e que pode ser potencialmente politizável. Eu acho que as coisas não são necessariamente políticas. Straight edge não é necessariamente político, o hardcore ou várias de nosas posturas; ou o andar de bicicleta. Todas essas coisas não são necessariamente políticas. Mas tudo  é política em potência, se você quiser politizar todas essas coisas. E eu acho que tem espaço pra isso. Eu acho particularmente interessante politizar essas coisas. Me interessa politizar essas coisas, me interessa politizar o underground. Me interessa politizar os nossos shows de punk rock pra 50 pessoas, me interessa politizar o straigh edge e a bicicleta e o veganismo e tudo mais. Tudo isso é política em potência, eu acho.

Agora, de qualquer maneira é isso, o que eu tava falando é isso. Pra mim a coisa ainda é muito corpo, por que aquele som  ensurdecedor explodindo naquelas caixas de som é muito forte pra mim. É apaixonante e tem a ver com desejo e tem a ver com paixão. Todas essas coisas que pra mim são indisçossiáveis. Sentar no computador e ver vídeo do youtube, a coisa não tem a mesma força pra mim e todo esse rolê tem a ver com força, com desejo, com vontade tudo isso, asism, sabe? Pra mim não é só internet. É claro que talvez, sei lá, pra quem nasceu em 94 e tá com 18 anos já e é um outro planeta. Essas pessoas tem uma outra vida, um outro mundo e tudo mais. Se o futuro for só internet e as pessoas estiverem felizes assim, tudo bem. Eu acho que este é um dos sintomas dos shows que a gente toca serem cada vez mais vazios. A gente toca para cada vez menos gente assim por que talvez  as pessoas estejam cada vez menos interessadas naquela coisa orgânica. Eu talvez, apesar de ainda me sentir jovem, já faça parte de uma outra geração. Vou ficar lamentando ou chorando as pitangas por causa disso não, tudo bem. As próximas gerações que tem que decidir como vão continuar as suas produções, eu já decidi a minha.

H – O tempo nos joga dentro de fluxos e refluxos em qualquer atividade continuada que seja, até mesmo no underground: pasmem. Contudo, aparentemente as fileiras de camisas pretas veem minguando a cada mudança que se segue no calendário. O rock doido, o rock du mal está cada vez mais bonito e com menos gente: Como sobreviver dentro do underground e como trazer mais pessoas para dentro dele?

Poney – Bem, eu não tenho pretensão nenhuma de trazer mais pessoas para dentro dele, na verdade. Sendo bem sincero, com aquilo que eu comentei antes, pra mim, um exercício ético interessante é fazer as coisas que eu acredito sem cobrar das outras pessoas que façam a mesma coisa. Ao mesmo tempo eu gostaria de fazer e produzir as coisas que me interessam sem necessariamente  ter uma postura de pastor de tentar trazer mais pessoas pra dentro disso. Acho que esse tipo de pregação é muito comun no underground e tem muito a ver com uma mentalidade cristã. E eu tô completamente interessado em abominar, eliminar e descartar nos mais variados e mais amplos sentidos que uma mentalidade cirstã possa ter. Eu acho que essa ideia de que é preciso que haja mais pessoas em nossas fileiras tem a ver com isso. Se tiver que acabar, acaba. Eu acho que a gente ainda se relaciona, principalmente o hardcore, principalmente o straigh edge, se relaciona muito mal com o fim das coisas e eu sou muito assim sabe? A gente tem essa mentalidade do young ‘till i die, eu vou ser jovem até morrer e acaba criando uma síndrome de peter pan que é horrível. Que nega o nosso corpo, que é uma negação que em algum sentido é meio cristã também. Não, a gente tá envelhecendo, a gente tá morrendo, a gente não vai ser jovem pra sempre e isso é legal também. As coisas tem um fim também, se tiver que acabar; acaba. Eu acho que não tem que ficar forçando. Isso é um exercício pra mim também, eu sou muito assim: eu não gosto que as coisas acabem. Eu sempre penso que tudo vai ser pra sempre e que nós vamos ser uma comunidade linda e bonita e amigos pra sempre curtindo shows de punk no subterrâneo para sempre. E talvez não seja assim. Eu já tô mais perto dos 30 que dos 20, eu faço 27 anos essa semana e talvez esteja meio velho pra fazer outras opções. Eu sei o que é que eu gosto e eu gosto disso, se tiver menos pessoas interessadas, tudo bem.

Minha vida inteira eu sempre me senti muito acostumado a estar deslocado, eu acho que todo mundo que de alguma maneira tem alguma vivência dentro do underground se sentiu deslocado. Eu acho que a gente se encontra no underground justamnete por que a gente não se enconrava em outro lugar nenhum. Nas aulas de educação física, na escola, na igreja. Em nenhum desse lugares a gente se sentia a vontade. Então, o sentimento de deslocamento já tá caminhando com a gente  há muito tempo e se a gente tá envelhecendo a gente tem que aprender a lidar com esse sentimenteo de deslocamento pra valer, até as últimas consequências. Ver o fm da comunidade que a gente faz parte e tudo bem. Agora como você falou, as coisas também tem fluxos, as coisas são muito geracionais, só pra dizer o outro lado. As coisas no underground são bastante geracionais, essa coisa da juventude ainda é muito forte. As pessoas ainda estão aprendendo a envelhecer aqui no Brasil, se você viaja na gringa a gente vê pessoas mais velhas. Em são paulo eu tenho vários amigos que estão mais perto dos 40 que dos 30. Aqui em Brasília a gente tem algumaspessoas também, mas são poucas pessoas.

De qualquer forma, a gente ainda tá vendo as primeiras gerações envelhecendo dentro disso. Essa coisa de juventude pode ser cruel, esse culto a juventude pode ser cruel com quem quer envelhecer se sentindo parte desse subterrâneo. A gente tá aprendendo isso ainda. E ao mesmo tempo que isso é cruel com quem envelhece e desestimula as pessoas a continuarem no rolé, ela faz com que as pessoas saiam muito; que as coisas sempre sejam muito cíclicas. Se você ai na sua cidade tá sentindo que as coisas tem menos gente, pode ser que daqui a outros cinco anos exista um outro novo boom também e ai as coisas diminuam de novo . isso é pra dizer um outro lado, eu não sei e nem quero me colocar na posição de prever alguma coisa. Tudo que eu queria dizer é que se tiver que acabar e as coisas acabarem, tudo bem. Eu é que não quero ter a postura de ser uma espécie de pregador  do underground pra trazer mais gente, se tiver que acabar; acabou. Mas talvez não seja assim, aquela história que a gente sempre escuta o ian macane “enquanto houver um garoto deslocado que pegar uma guitarra sempre vai existir o punk rock” talvez seja verdade e talvez não, não sei. O que eu sei é que eu já não me sinto a vontade em lugar nenhum, eu me sinto a vontade nesse espaço nessa comunidade. Como eu falei, todas essas coisas teem a ver com desejo, com vontades, com paixões e enquanto eu cotinuar sentindo essas coisas eu vou querer continuar a produzir e fazer barulho e escrever sobre como a gente pode tentar fazer desse espaço que a gente vive um lugar melhor e ir tentando fazer desse espaço um lugar melhor. E se tiver que acabar, beleza; o último que sair apague a luz. Sem nenhum apego pela nossa comunidade, sem nenhum apego pela humanidade mesmo.

Valeu ai Eurick, depois você organiza toda essa fala confusa, se quiser, valeu?  Abraço.


Rolé bacaninha da Renegades of Punk

Eu realmente acho que, se você não gosta da R.o.P, tá precisando voltar pra Universidade da Vida e pagar Rock Doidêra 2 novamente. É charme; energia; saúde e higiene tudo num canto só, além duma boa dose de sociologia com termos descolados subliminarmente embutida nas letras; com muito propósito e intencionalidade… óbvio. A banda deu um rolé pelo Brasil (leia-se: Regiões sudeste e sul) meio que recentemente e um dos shows tá ai. Sim, shows; é o que essa banda faz. Dai, é aquela velha coisa de ver rolé que você não esteve: procurar gente conhecida no vídeo, mosh no sofá e tudo mais. Além disso, houveram boatos que talvez a banda cole por essas bandas (PE) por esses dias.


Um som novo da Eu o Declaro Meu Inimigo que nem eles sabem o nome ainda, eu acho.

Os caras acabaram de soltar isso na internet e tão postando em tudo que é canto do Facebooks: os pontos altos pra mim vão pro capacete e o adesivo dos Super Patos. A EDMI é uma das bandas mais supimpas que tão no rolé aqui em PE ultimamente, vale a pena dar uma sacada nas coisas deles, vá por mim.

 

A letra da música tem no youtube, mas se você tiver com preguiça; é essa aqui:

Não me transformo ao entrar
nem sempre ouvir, nem sempre aceitar

essas metas não
se tornarão meu padrão
caminho sobre sua criação em ruinas
esmagando o deus patrão

se acostumar e dizer “sim”
o fim não será assim
te incomodo até o fim
não será só ruim pra mim

Sou uma puta que nunca vai te beijar
por de joelhos não faz amar
Aqui dentro somos presos e as grades ferem
mas não me verás chorar

Sou uma puta que nunca vai te beijar
o dinheiro não me impressiona
aqui dentro somos presos e a minha companhia
nunca vai te agradar


Finalmente a resposta, atrasada.

Bem galerê, eu tô devendo essa entrevista aqui a vocês já rola uma data. Ela foi feita em dezembro do ano passado com uma ajuda pra traduzir as perguntas pro espanhol, me parece mais fácil falar klingon que esse idioma, eu estava esperando a brodagem de algumas pessoas pra traduzr as respostas; não rolou. (Aquele papo de “nem na sua própria sombra”)… Ai, foi na base do google translator + portunhol pra ver no que dá… Quem respondeu as perguntas foi o guitarrista, o Makoko; ou alguém mais usou o email dele pra responder ou ele estranhamente fala em terceira pessoa… e eu acho que é a primeira entrevista da banda em português.

Looking for an Answer, Enjoy.

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H – Muitas pessoas aqui no Brasil passaram a conhecer a LFAA apenas após o split com a Ratos de Porão, podem contar rapidamente a trajetória da banda? Sei que ela começou como um projeto solo do Félix ao qual os outros membros foram se agregando aos poucos, mas como foi esse trajeto: do Spplit com o Agathocles até o Eterno Treblinka?

Makoko – Tudo começou com félix por volta de 99, misturando um monte de sons com muita paciência. Mais tarde se uniram Iñaki e Ramón e completaram o trio com uma mistura de ritmos que marcou o caminho do que seria a banda dali em diante, ai começaram as gigs e tour locais. Foram 3 anos com esa formação. Em 2003 começamos a tocar com um baterista humano, Moya, fechando o círculo e compondo o grupo de forma mais coesa, lançando um monte de EPs, LPs, e tocando pela Espanha e Europa. Após o lançamento de “Extincion” rolou uma reformulação na banda quanto à sonoridade e composições, em 2008 se soma ao quarteto Makoko como segunda guitarra, que é como o grupo está até hoje.

H – E daqui pra frente o que podemos esperar, quais respostas ainda estão procurando?

Makoko – Há muitas perguntas que não possuem resposta, ou a resposta é tão dificil de digerir que não se é possivel aceitar como tal. Por que o mundo é controlado por filhos da puta sem moral? É possivel que o planeta onde vivemos suporte o que a raça humana humana está fazendo? O que podemos fazer com nossas vidas fora desse sistema egoísta e autodestrutivo que impera no mundo? Nós vamos seguir com o nosso, fazendo grindcore a margem de toda merda que nos rodeia e colocando nosso grão de areia para que tudo seja menos mal.
H – Depois desse split com a R.D.P podemos vislumbrar um giro pelo Brasil? O que vocês conhecem daqui, não só em termos de música extrema?

Makoko – Claro que já pensamos em ir ao Brasil. Na verdade, antes do Verão, estávamos prestes a ir a um festival em São Paulo, eu acho, e, incidentalmente, fazer alguns shows, mas não fomos capazes de fazê-lo pela falta de tempo fora do trabalho para alguns de nós. É um assunto sobre o qual pensamos muito, e esperamos poder fazê-lo daqui a alguns anos. Temos una relacão foda com a Ratos, (uma gente maravillosa, por certo) e graças a eles temos mais chances de fazer uma tour legal e ainda passar umas férias por ai.

H – E o que, na opinião de vocês, merece ser conhecido ai da Espanha? De música extrema a pratos típicos.

Makoko – Com certeza não é o sistema político, sua cultura conservadora e seu fanatismo religioso. Como en todos lugares há muita gente bcana e coisas pra se fazer, lugeres pra conhecer e lugares pra se esquecer do mundo, e também filhos da puta, lugares horríveis e todo o mal que um país capitalista e corrupto pode ter. Certamente destacaria o gazpacho e pimentas de Navarra.

H – Os materiais de divulgação da LFAA são muito bem produzidos. A capa do “Extincion”, por exemplo, possui uma ilustração muito impactante. Quem cuida da parte gráfica dos materiais da banda e mais especificamente: quem é o ilustrador da capa do Extincion?

Makoko – A parte gráfica é feita por Felix e Makoko (Subliminart e ViolentSatanicGrinders), Mas tudo referente aos desenhos e essas coisas sempre discutimos entre todos, decidimos e os dois fazem. Logo, rolam todas as mudanças imagináveis e ai está. De todo modo, o trabalho de desenho nos últimos anos tem sido bastante fácil, porque contamos com a ajuda de um dos melhores ilustradores da galáxia: Nor Venagruesa (dá uma procurada que você encontra coisa dele na net fácil). É um bom amigo nosso, gallego, mestre nos desenho e em tatuagem e grande pessoa . Foi ele que fez as artes dos nossos últimos trabalhos (Extinción, La Cacería, RDP split 10″, Eterno Treblinka) y le tenemos en nómina, así que se quedará con nosotros hasta que la ley de vagos y maleantes cambie y le tengamos que hacer un contrato por horas. – Nem a pau que eu consegui traduzir isso.

https://i1.wp.com/graphics.crucialattack.nl/covers/Looking_For_An_Answer_-_Extincion-LP.jpg
H – Este blog aqui possui uma pequena atenção sobre o mundo das artes também, li em algum lugar que alguém da banda é designer. Algum outro envolvimento com as artes por parte dos membros do LFAA? As artes podem trazer algumas respostas? lol

Makoko – De fato, Makoko é designer, mas trabalha muito pouco; o menos possível. Desenvolve sua veia artística vez por outra, fazendo alguns pequenos trabalhos pra pagar seus caprichos. Faz parte da direção da editora Violent Satanic Grinders, uma asociação de artistas e meliantes que se dedica à comunicação e expressão cultural underground com um enfoque estritamente DIY. Félix também tem suas inquietudes artísticas, aparte das musicais. Que, como todos os membros do grupo, desenvolve em outros projetos distintos da LFAA, mias ou menos próximos ao rock; por assim dizer.
Eu não sei até que ponto as artes podem trazer respostas. Certamente ela pode ajudar a compreender algumas coisas, para compreender diferentes visões de mundo … Arte estimula a comunicação e o fluxo de cultura e conhecimento e é um poderoso veículo para expressar preocupações reais, geralmente silenciados pelos governos ao redor do mundo. Ao invés de dar respostas, a arte serve para gritar perguntas, todos nós pensamos um pouco e, juntos, podemos encontrar as respostas.
H – A LFAA é 100% vegetariana, com alguns veganos nessa conta, até onde eu sei. Além de abordarem temas como a libertação animal em suas letras, vocês são envolvidos com algum tipo de militância nesse sentido; de propagação do veganismo; ou mesmo em algum outro tipo de militância?

Makoko – Na LFAA somos todos vegetarianos ou veganos. Nós tentamos viver nossas vidas o mais coerentemente possível às nossas ideias, tanto em nosso relacionamento com pessoas, animais e o planeta neste mundo nojento em que todos sofrem.
Só para ter uma vida diferente para a maioria fora do consumismo em massa e a guerra não-questionamento, e salarial generalizada de qualquer forma em um “movimento” contra o estabelecimento. Alguém pergunta: não comer animais? Por quê? E quando você explica os seus motivos, pelo menos a pessoa pensa sobre isso, e às vezes, como no meu caso há alguns anos atrás, muda os seus hábitos e contribui para a onda crescente de pessoas ao redor do mundo que questionam a forma de vida que tentam nos impor governos e mercados.
Espalhar a mensagem de libertação animal através de grindcore é a forma como nós cinco fazemos a nossa parte em prol do respeito pelos direitos dos animais. Felix tem seu selo Under the Knive, que distribui livros e músicas sobre os direitos animais e veganismo, mas nenhum de nós pertence a nenhuma associação, somos todos autônomos na luta por um mundo melhor …

 H – Ao assumir uma postura assim, de propagação do vegetarianismo, como banda; como conjunto, qual o papel que as letras e a manutenção dessa postura possuem no trabalho de vocês e qual o impacto gerado por isso no entorno da LFAA?

Makoko – As letras são pelo menos 50% do que é LFAA. E a maioria delas fala e denuncia o abuso de animais e o especismo generalizado entre os homens. É uma marca registrada da banda intencionalmente tomada desde o início, e que continua a ser a principal razão e a “inspiração” para os textos. Para alguns de nós, como eu disse antes, é a maneira que nós encontramos para nos mobilizar pelos animais para além dos nossos hábitos alimentares, por assim dizer. E isso funciona. Em pequena escala, sim, mas nas imediações de LFAA há 3 casos de pessoas que pararam de comer animais e mudaram alguns de seus costumes em prol da igualdade animal, então eu tenho certeza que tem ajudado mais pessoas a pensar nisso e tomar uma decisão.

H – O que influencia vocês para a construção das músicas e perpetuação do trabalho com a LFAA? Digo: quais músicas, quais bandas, quais coisas além disso entram na hora de produzir novos materiais?

Makoko – Ao compor as músicas temos muito claro o que fazemos. Com LFAA o que fazemos é grindcore. Nem mais nem menos, grindcore, puro e simples, ou o que entendemos como tal. Todos nós temos outros projetos musicais no qual se desenvolvem outros interesses. Mas, quanto à LFAA, acho que o que nos inspira é a música que foi feita nos anos 80 e 90. Repulsion, Napalm Death, Autopsy, Brutal Truth, Terrorizer, Carcass…(ai sim, mô véi!)

H – Como vocês enxergam e o que podem dizer do cenário underground espanhol, da inserção da LFAA nele e fora do mesmo e das demais bandas vindas dai?

Makoko – A cena espanhola… eu não sei o que dizer. Temos alguns bons grupos e festivais, e rolés de alto nível, mas geralmente é uma merda. Custa muito para organizar as coisas, há pouco envolvimento dos grupos e do público … Hoje os grupos estão mais preocupados com as suas fotos que com a sua música, e por isso são os grupos que duram 2 ou 3 anos, coisa de moda.

No caso da LFAA, há um tempo temos visto que as pessoas fora do nosso círculo habitual estão se interessando mais que antes (tanto na  Espanha quanto em outros países), somos chamados a  festivais em lugares que nunca ouvimos falar… Foi muito importante nesse sentido o lançamento com a Relapse, abriu novas portas. Continuamos a crescer tanto quanto possível, até cair.

H – Por se tratar de uma banda que não canta em inglês, vocês acham que possuem um tratamento diferenciado dentro do cenário underground? Já li em mais de uma entrevista com vocês pessoas perguntando por qual razão vocês simplesmente não cantam em inglês para se tornarem “mais comerciais”.

Makoko – Para o bem ou para o mal somos de onde somos. E nos comunicamos na língua que aprendemos quando crianças. Não acredito que o idioma em que cantas tem a ver com o seu desenvolvimento como um grupo e menos ainda num estilo de música onde não se entende nada do que você diz. Quem está interessado no que dizem os gritos lê o encarte, em espanhol e em Inglês. Então, não importa de onde o grupo é, terá o impacto que deveria ter com a sua música, independente da linguagem que usamos. Nós não nos propomos a não escrever em Inglês ou em Euskara por qualquer razão,  simplesmente fazemos da melhor maniera que sabemos, em castelhano.

H – Obrigado por se disponibilizar a responder a esta entrevista, nós do Hipercinza (leia-se: eu) gostamos bastante do trabalho da banda e esperamos poder curtir um show algum dia, sem ser pelo youtube.

Makoko – Obrigado pela entrevista e pela oportunidade de apresentar a nossa posição e continuar a expandir o poder da LFAA.
Estejam todos preparados deste lado do Atlântico, que um dia cairá a tempestade LFAA no Brasil, e não haverá um guarda-chuva para todos …
Para mais informações e ruído: looking_for_an_answer@hotmail.com


Música pode ser perigosa, instigante e cheia de coração.

Como eu havia divulgado um tempinho atrás, uma das bandas mais bacanas (ou quase) que apareceram por esses tempos aqui tá nos corres de lançamento de seu primeiro trampo. Dai rolou em Maranguape (subúrbio/periferia da região metropolitana do Recife) o rolé de lançamento do debut da galera. Vale muito à pena dar uma sacada, principalmente se você for inventar de comprar o lance e ler o encarte. O dito cujo foi todo feito colaborativamente, com trocentas pessoas mandando textos, desenhos e tudo mais… ficou um livretinho bem bacana de ter em casa. Eu não vou falar muito aqui sobre o rolé de lançamento, pois um cara bem bacana tá fazendo uma resenha desse rolé pra sair no Negative Mental Attitude; um blog recente e também de bastante respeito nessa birosca aqui.

Música pode ser perigosa Cover Art

Dá pra sacar todo o som dos desocupados no bandacamp da EDMI e inclusivemente fazer o download de todas as músicas e tudo mais. A banda tem umas influências pesadamente bacanas, que vão de Vitamin X a Black Flag e um leve toque de Sin Dios. Letras supimpas pra você ter um pouco de noção de como a música pode ser perigosa novamente, não que os caras sejam mega militantes revolucionários. Mas, é mais interessante sacar alguém cantando Sobre o sague candango ou Em busca da verdade que sobre sábado na balada em algumas determinadas situações. Ainda por cima tá rolando vídeos das bandas nesse lançamento ai, mas eu não vou postar todos aqui; só o vídeos delses falando besteira, errando e tocando um pouco. Numa das músicas eles cantam “menos sangue, mais coração” acho válido.

Ps: eles dizem que apóiam a cena…