Papo cabeça, só que não, x2

Então, por esses dias foram parar na internet dois papos com integrantes de bandas que deveriam fazer parte da formação moral de qualquer pessoa de bem nesse mundo: Jacob Banon e Keijo Niinimaa. Os dois papos são bem diferentes, mas igualmente interessantes de sacar. Se você não fala a língua que o mendigo da sua rua sabe cantar quando tá bêbado, nem tente.

Rungs in a Ladder: Jacob Banon é tipo um doc-entrevista com o vocalista da mais que caótica Converge, feito pelo Ian MacFarland, onde ele foca justamente no que o tornou sequelado transformou na pessoa que ele é hoje, como ele lida com seus conflitos pessoais e como isso reflete na sua banda. Tem um tantnho de clima pretensioso, talvez criado por uma estética hypada do bagulho, mas vale a pena sacar; principalmente se você curte essa coisa de entender por que as coisas são do jeito que são. E principalmente, curte a converge… mas sem idolatria, sem idolatria.

E o Kaaos Zine, através da Kaaos TV, um coisa beeeem massa lá da Finlândia, trouxe esse papo rápido e diverso com a voz por trás dos berros na máquina de moer crianças chamada Rotten Sound. Da tour com a Nasum às expectativas para seus projetos musicais em 2013, o papo passa por muita coisa. Numa mistura de perguntas óbvias e respostas cretinas, os dois vão levando o papo numa leveza ímpar… mas é legal de sacar também, destaque para o finalzinho da entrevista… 8,5 de simpatia.

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Sons para ouvir após o fim do mundo

O mundo acabou, nós é que ainda não percebemos. Para de certa forma celebrar isso e marcar o começo do blog em 2013, toquem fogo em tudo e ao redor das chamas dancem.

 

 

Sim, o coro de Aleluia de Händel. A peça foi composta tendo como inspiração a segunda vinda de Jesus à terra: se você fez aula de catecismo deve saber muito bem do que eu tô falando. A parte legal é que não é piada. Mais legal ainda é saber que de alguma forma ela agora faz parte do imaginário popular como algo um tanto diferente de seu propósito original, talvez nem tanto.

 

Eu simplesmente acho essa uma das músicas mais absurdas da existência. Ela consegue, em menos de 1 segundo, ser mais conceitualmente densa que boa parte de toda arte produzida pela humanidade e bater num dos pontos cruciais da experiência humana. Se é pra pensar em algo apropriado para um pós apocalipse, eu pediria um repeat infinito de “You Suffer”  um repeat infinito de “You Suffer” um repeat infinito de “You Suffer”…

 

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4:33, de Jhon Cage, esta também está na lista das melhores músicas já compostas, inclusive eu já falei dela aqui. Seus questionamentos facilmente extrapolam as barreiras do campo musical. Também acho que pouca coisa seria mais apropriada para se ouvir quando tudo………………………………………………………………………………………………………………………………
To be continued…


Wormrot live at O.E.F 2012 full rolé.

Vi esse vídeo um tempo atrás, quando o blog tava no limbo e tal, dai decidi lembrar da existência dele e soltar aqui… provavelmente uma galerinha já viu. Wormrot, diretamente da terra onde rola aquela piscina no topo do prédio; que a pessoa parece que vai cair e morrer, tocando pra meio mundo de pirado num dos festivais mais supimpas desse mundãozão.

Ps: onde compra um cavalo desses?


Finalmente a resposta, atrasada.

Bem galerê, eu tô devendo essa entrevista aqui a vocês já rola uma data. Ela foi feita em dezembro do ano passado com uma ajuda pra traduzir as perguntas pro espanhol, me parece mais fácil falar klingon que esse idioma, eu estava esperando a brodagem de algumas pessoas pra traduzr as respostas; não rolou. (Aquele papo de “nem na sua própria sombra”)… Ai, foi na base do google translator + portunhol pra ver no que dá… Quem respondeu as perguntas foi o guitarrista, o Makoko; ou alguém mais usou o email dele pra responder ou ele estranhamente fala em terceira pessoa… e eu acho que é a primeira entrevista da banda em português.

Looking for an Answer, Enjoy.

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H – Muitas pessoas aqui no Brasil passaram a conhecer a LFAA apenas após o split com a Ratos de Porão, podem contar rapidamente a trajetória da banda? Sei que ela começou como um projeto solo do Félix ao qual os outros membros foram se agregando aos poucos, mas como foi esse trajeto: do Spplit com o Agathocles até o Eterno Treblinka?

Makoko – Tudo começou com félix por volta de 99, misturando um monte de sons com muita paciência. Mais tarde se uniram Iñaki e Ramón e completaram o trio com uma mistura de ritmos que marcou o caminho do que seria a banda dali em diante, ai começaram as gigs e tour locais. Foram 3 anos com esa formação. Em 2003 começamos a tocar com um baterista humano, Moya, fechando o círculo e compondo o grupo de forma mais coesa, lançando um monte de EPs, LPs, e tocando pela Espanha e Europa. Após o lançamento de “Extincion” rolou uma reformulação na banda quanto à sonoridade e composições, em 2008 se soma ao quarteto Makoko como segunda guitarra, que é como o grupo está até hoje.

H – E daqui pra frente o que podemos esperar, quais respostas ainda estão procurando?

Makoko – Há muitas perguntas que não possuem resposta, ou a resposta é tão dificil de digerir que não se é possivel aceitar como tal. Por que o mundo é controlado por filhos da puta sem moral? É possivel que o planeta onde vivemos suporte o que a raça humana humana está fazendo? O que podemos fazer com nossas vidas fora desse sistema egoísta e autodestrutivo que impera no mundo? Nós vamos seguir com o nosso, fazendo grindcore a margem de toda merda que nos rodeia e colocando nosso grão de areia para que tudo seja menos mal.
H – Depois desse split com a R.D.P podemos vislumbrar um giro pelo Brasil? O que vocês conhecem daqui, não só em termos de música extrema?

Makoko – Claro que já pensamos em ir ao Brasil. Na verdade, antes do Verão, estávamos prestes a ir a um festival em São Paulo, eu acho, e, incidentalmente, fazer alguns shows, mas não fomos capazes de fazê-lo pela falta de tempo fora do trabalho para alguns de nós. É um assunto sobre o qual pensamos muito, e esperamos poder fazê-lo daqui a alguns anos. Temos una relacão foda com a Ratos, (uma gente maravillosa, por certo) e graças a eles temos mais chances de fazer uma tour legal e ainda passar umas férias por ai.

H – E o que, na opinião de vocês, merece ser conhecido ai da Espanha? De música extrema a pratos típicos.

Makoko – Com certeza não é o sistema político, sua cultura conservadora e seu fanatismo religioso. Como en todos lugares há muita gente bcana e coisas pra se fazer, lugeres pra conhecer e lugares pra se esquecer do mundo, e também filhos da puta, lugares horríveis e todo o mal que um país capitalista e corrupto pode ter. Certamente destacaria o gazpacho e pimentas de Navarra.

H – Os materiais de divulgação da LFAA são muito bem produzidos. A capa do “Extincion”, por exemplo, possui uma ilustração muito impactante. Quem cuida da parte gráfica dos materiais da banda e mais especificamente: quem é o ilustrador da capa do Extincion?

Makoko – A parte gráfica é feita por Felix e Makoko (Subliminart e ViolentSatanicGrinders), Mas tudo referente aos desenhos e essas coisas sempre discutimos entre todos, decidimos e os dois fazem. Logo, rolam todas as mudanças imagináveis e ai está. De todo modo, o trabalho de desenho nos últimos anos tem sido bastante fácil, porque contamos com a ajuda de um dos melhores ilustradores da galáxia: Nor Venagruesa (dá uma procurada que você encontra coisa dele na net fácil). É um bom amigo nosso, gallego, mestre nos desenho e em tatuagem e grande pessoa . Foi ele que fez as artes dos nossos últimos trabalhos (Extinción, La Cacería, RDP split 10″, Eterno Treblinka) y le tenemos en nómina, así que se quedará con nosotros hasta que la ley de vagos y maleantes cambie y le tengamos que hacer un contrato por horas. – Nem a pau que eu consegui traduzir isso.

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H – Este blog aqui possui uma pequena atenção sobre o mundo das artes também, li em algum lugar que alguém da banda é designer. Algum outro envolvimento com as artes por parte dos membros do LFAA? As artes podem trazer algumas respostas? lol

Makoko – De fato, Makoko é designer, mas trabalha muito pouco; o menos possível. Desenvolve sua veia artística vez por outra, fazendo alguns pequenos trabalhos pra pagar seus caprichos. Faz parte da direção da editora Violent Satanic Grinders, uma asociação de artistas e meliantes que se dedica à comunicação e expressão cultural underground com um enfoque estritamente DIY. Félix também tem suas inquietudes artísticas, aparte das musicais. Que, como todos os membros do grupo, desenvolve em outros projetos distintos da LFAA, mias ou menos próximos ao rock; por assim dizer.
Eu não sei até que ponto as artes podem trazer respostas. Certamente ela pode ajudar a compreender algumas coisas, para compreender diferentes visões de mundo … Arte estimula a comunicação e o fluxo de cultura e conhecimento e é um poderoso veículo para expressar preocupações reais, geralmente silenciados pelos governos ao redor do mundo. Ao invés de dar respostas, a arte serve para gritar perguntas, todos nós pensamos um pouco e, juntos, podemos encontrar as respostas.
H – A LFAA é 100% vegetariana, com alguns veganos nessa conta, até onde eu sei. Além de abordarem temas como a libertação animal em suas letras, vocês são envolvidos com algum tipo de militância nesse sentido; de propagação do veganismo; ou mesmo em algum outro tipo de militância?

Makoko – Na LFAA somos todos vegetarianos ou veganos. Nós tentamos viver nossas vidas o mais coerentemente possível às nossas ideias, tanto em nosso relacionamento com pessoas, animais e o planeta neste mundo nojento em que todos sofrem.
Só para ter uma vida diferente para a maioria fora do consumismo em massa e a guerra não-questionamento, e salarial generalizada de qualquer forma em um “movimento” contra o estabelecimento. Alguém pergunta: não comer animais? Por quê? E quando você explica os seus motivos, pelo menos a pessoa pensa sobre isso, e às vezes, como no meu caso há alguns anos atrás, muda os seus hábitos e contribui para a onda crescente de pessoas ao redor do mundo que questionam a forma de vida que tentam nos impor governos e mercados.
Espalhar a mensagem de libertação animal através de grindcore é a forma como nós cinco fazemos a nossa parte em prol do respeito pelos direitos dos animais. Felix tem seu selo Under the Knive, que distribui livros e músicas sobre os direitos animais e veganismo, mas nenhum de nós pertence a nenhuma associação, somos todos autônomos na luta por um mundo melhor …

 H – Ao assumir uma postura assim, de propagação do vegetarianismo, como banda; como conjunto, qual o papel que as letras e a manutenção dessa postura possuem no trabalho de vocês e qual o impacto gerado por isso no entorno da LFAA?

Makoko – As letras são pelo menos 50% do que é LFAA. E a maioria delas fala e denuncia o abuso de animais e o especismo generalizado entre os homens. É uma marca registrada da banda intencionalmente tomada desde o início, e que continua a ser a principal razão e a “inspiração” para os textos. Para alguns de nós, como eu disse antes, é a maneira que nós encontramos para nos mobilizar pelos animais para além dos nossos hábitos alimentares, por assim dizer. E isso funciona. Em pequena escala, sim, mas nas imediações de LFAA há 3 casos de pessoas que pararam de comer animais e mudaram alguns de seus costumes em prol da igualdade animal, então eu tenho certeza que tem ajudado mais pessoas a pensar nisso e tomar uma decisão.

H – O que influencia vocês para a construção das músicas e perpetuação do trabalho com a LFAA? Digo: quais músicas, quais bandas, quais coisas além disso entram na hora de produzir novos materiais?

Makoko – Ao compor as músicas temos muito claro o que fazemos. Com LFAA o que fazemos é grindcore. Nem mais nem menos, grindcore, puro e simples, ou o que entendemos como tal. Todos nós temos outros projetos musicais no qual se desenvolvem outros interesses. Mas, quanto à LFAA, acho que o que nos inspira é a música que foi feita nos anos 80 e 90. Repulsion, Napalm Death, Autopsy, Brutal Truth, Terrorizer, Carcass…(ai sim, mô véi!)

H – Como vocês enxergam e o que podem dizer do cenário underground espanhol, da inserção da LFAA nele e fora do mesmo e das demais bandas vindas dai?

Makoko – A cena espanhola… eu não sei o que dizer. Temos alguns bons grupos e festivais, e rolés de alto nível, mas geralmente é uma merda. Custa muito para organizar as coisas, há pouco envolvimento dos grupos e do público … Hoje os grupos estão mais preocupados com as suas fotos que com a sua música, e por isso são os grupos que duram 2 ou 3 anos, coisa de moda.

No caso da LFAA, há um tempo temos visto que as pessoas fora do nosso círculo habitual estão se interessando mais que antes (tanto na  Espanha quanto em outros países), somos chamados a  festivais em lugares que nunca ouvimos falar… Foi muito importante nesse sentido o lançamento com a Relapse, abriu novas portas. Continuamos a crescer tanto quanto possível, até cair.

H – Por se tratar de uma banda que não canta em inglês, vocês acham que possuem um tratamento diferenciado dentro do cenário underground? Já li em mais de uma entrevista com vocês pessoas perguntando por qual razão vocês simplesmente não cantam em inglês para se tornarem “mais comerciais”.

Makoko – Para o bem ou para o mal somos de onde somos. E nos comunicamos na língua que aprendemos quando crianças. Não acredito que o idioma em que cantas tem a ver com o seu desenvolvimento como um grupo e menos ainda num estilo de música onde não se entende nada do que você diz. Quem está interessado no que dizem os gritos lê o encarte, em espanhol e em Inglês. Então, não importa de onde o grupo é, terá o impacto que deveria ter com a sua música, independente da linguagem que usamos. Nós não nos propomos a não escrever em Inglês ou em Euskara por qualquer razão,  simplesmente fazemos da melhor maniera que sabemos, em castelhano.

H – Obrigado por se disponibilizar a responder a esta entrevista, nós do Hipercinza (leia-se: eu) gostamos bastante do trabalho da banda e esperamos poder curtir um show algum dia, sem ser pelo youtube.

Makoko – Obrigado pela entrevista e pela oportunidade de apresentar a nossa posição e continuar a expandir o poder da LFAA.
Estejam todos preparados deste lado do Atlântico, que um dia cairá a tempestade LFAA no Brasil, e não haverá um guarda-chuva para todos …
Para mais informações e ruído: looking_for_an_answer@hotmail.com


The Arson Project Live at Indonésia

Há alguns dias eu vi esse vídeo ai e até mostrei já prum monte de gente e muita gente que lê isso aqui já viu, piro² na The Arson Project e achei massa o fato deles estarem tocando num pico que não seja a Europa como sempre… mas vamos adiante com a negligência… Esse rolé foi na Indonésia (como está escrito ali em cima) e foi pertinho de onde mora o Toro, mas ele nem ficou sabendo disso porque nuca ouviu falar da banda, se você também não… tá na hora de dar um Up! ai na sua vida. Destaque para a sala lotada de clones… eu acho muito que esse rolé foi feito num laboratório de genética ou coisa assim.

 


Lá em Gävle

https://i2.wp.com/www.willowtip.com/images/c/2241/440x250.aspx

Tem gente que simplesmente fica de boa, sem pressa, e sabe o que faz.

 


Depois do fim, o começo.

Pare de perder seu tempo e vá escutar o som novo da Social Chaos, lá no bandcamp da Equivokke Records. Tocou seiláquantasvezes seguidas aqui e eu afirmo sem dó nem piedade que tá bonito.

1 – A Equivokke Records tá com um catálogo invejável para qualquer empreendimento roqueirístico desse mundo com poucas cores.

2 – A Social Chaos é uma banda sehr gute e o planeta terra já está merecendo um lançamento novo dela, para nossa sorte o bagulho tá na fábrica; segundo a própria Equivokke.

Depois do Fim o Começo Cover Art