… Nem Mestres, o Sin Dios e o Cólera já disseram tudo.

… Nem mestres” é o nome do trampo novo da Eu o Declaro Meu Inimigo, que eu acho que vai sair via eles mesmos.  Comecei a trocar umas ideia com Diego, que é o cantor, um pouco antes deles divulgarem um som na net e a imagem de capa do lance… meio que terminei depois disso. Rola de dar uma sacada no som e na imagem no bandcamp e especialmente contribuir com um rolé que eles pretendem dar pelo NE. Juro que é fácil encontrá-los na internet, comprar o seu e blábláblá. Enfim… o papo seguiu bem na linha do cotidiano de praticamente toda banda que se tem notícia. Talvez,  exatamente por isso ele tenha sido/seja relevante.

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É hipster agora.
Tem uma simbologia de perna cruzada, gente descalça tipo os bagui de abbey road, bicicleta e foto de cor sem graça. Não sei se todo mundo vai conseguir sacar…

H – Criar expectativas é o alicerce da decepção, mas ainda assim é praticamente impossível não criá-las. Com este novo trabalho, quais são elas? As expectativas, no caso.

Diego Edimí – Fomos produzindo de forma bem despretensiosa e, as vezes, até lenta. Começamos a ter algumas idéias sobre como o material poderia ser, quantidade de músicas, formato e tudo mais que envolve essa produção mas, acredito, que pensando em um prazo maior de tempo do que realmente esta sendo. A banda por muitas vezes já passou alguns meses sem ensaiar, dessa vez estavamos ensaiando frequentemente e tocando algumas vezes. Por coincidência apareceram alguns convites que nos daria uma boa sequência de roles (alguns fora do estado). Queríamos aproveitar esse tempo de frequentes ensaios e shows para gravar. Acabou tudo acontecendo tão rápido que, na verdade, acho que surgiram mais idéias e sugestões do que realmente uma expectativa criada. As decisões foram rápidas e se tornaram práticas também de forma rápida. Ainda a muito o que se fazer mas está sendo tudo bem rápido. Por exemplo, entre o tempo de receber essas perguntas e ter tempo de responder apareceu a oportunidade de terminarmos a gravação do CD aqui em casa e fizemos isso no dia de ontem. De capitação falta apenas a participação de um casal de amigos que será feita de outra forma e em outro lugar. Daniel, que também foi o responsável pela gravação do primeiro material, já esta trabalhando em cima das músicas para que elas saiam, realmente, o mais rápido possível. De expectativa mesmo, só aquela gigante de escutar pela primeira vez o áudio finalizado. Naturalmente fomos deixando Daniel sugerir e por em prática coisas relativas a timbre e tudo que envolve e influi demais no resultado final, superou demais as nossas idéias e conceitos de como deveria ser e por isso, pra mim, a expectativa está sendo bem maior e basicamente está voltada a isso. Quero escutar e achar foda junto com os caras. O que a gente faz depois e se vai dar certo eu não estou tão “preocupado” no momento porque temos uma idéia básica que também já esta sendo colocada em prática.

H – Essa primeira pergunta foi feits antes do Trampo sair e agora ele está ai, em breve, pra qualquer mortal com audição poder ouvir. No fim das contas, o som saiu de uma forma que vocês conseguiram ouvir juntos e achar foda?

Diego Edimí – Na verdade, ainda estamos nesse processo de procurar agradar a todos da banda, mas desde a primeira audição achamos foda. Agora são só alguns detalhes de volume e equalização de uma ou outra música.

H – Boa parte dos membros da banda possui alguma relação com militância e isso se reflete na banda. Então, continuando no âmbito das expectativas, O que vocês pretendem ou esperam comunicar nesse novo trabalho sem se tornarem apenas mais uma voz dizendo as mesmas coisas de forma diferente para mais ou menos o mesmo tipo de pessoa “de sempre”?

Diego Edimí – Não existiu uma unidade de composição ou algo do tipo pra esse novo material. Acredito que por conta do tempo grande de produção das músicas elas tem algumas diferenças de influências, composição e envolvimento com o que tava acontecendo com cada um. As letras, basicamente, são relacionadas a algo bem específico que passei, senti, li, escutei, observei ou pensei dentro de um espaço de tempo grande. Então nelas você pode perceber em alguns aspectos o que se tornou a minha relação com o trampo, com o transito, com o que passei a ler e escutar. Não existe uma grande pretensão da minha parte de atingir, com as músicas e o material, outro tipo de público. Tudo tem acontecido ao contrário na verdade, as coisas aparecem pra mim e passam a ter significado e por isso saem na música. O material esta mais para um produto final das influências que sofri nesses últimos meses do que algum tipo de estopim. Para outras pessoas. Ainda falamos das mesmas coisas, não existe uma grande temática ou descoberta por trás de tudo, a não ser as nossas próprias. Além disso o Sin Dios e o Cólera já disseram tudo.

H – Você não acha que pode soar elitista desprender-se da necessidade de atingir outros tipos de público? E se a Sin Dios e a Cólera já disseram tudo; por que continuar?

Diego Edimí – Não consigo tratar como necessidade atingir “outro público”, como disse, tudo o que rola nas letras são coisas que atingiram a gente e significaram algo, tudo é uma “reação” diante de alguns fatos. Não consigo ver uma finalidade que justifique a banda correr atrás de outros públicos ou tratar a própria busca como uma finalidade. Acho que o importante é dar vazão a essas idéias, o reconhecimento (no sentido de compartilhar das mesmas idéias) vem naturalmente. O Sin Dios e o Cólera já disseram tudo, vale a pena continuar porque ainda faz sentido, porque difundir a idéia ainda vale, porque ainda acreditamos que o fato de pegar alguns instrumentos e cantar algo ainda tem um significado verdadeiro, mesmo que seja só pra gente, e também porque é algo que gostamos de fazer, andar por ai e tocar.

H – Creio que 75% dos membros da banda possuam alguma relação com artes visuais, mas no trampo anterior vocês optaram por convidar um monte de gente pra ajudar na construção do encarte. Dessa vez vai rolar uma “particpação” maior dos próprios membros da banda?

Diego Edmí – Acredito que vai rolar uma participação menor dos integrantes. Nesses últimos meses conhecemos e passamos a ter uma relação de amizade com muitas pessoas por conta da banda. Falamos com algumas dessas pessoas e elas toparam contribuir a produção de conteúdo do cd basicamente porque também curtimos o trampo de cada uma delas e já que rola esse compartilhamento de idéias achamos que seria uma boa idéia inclui-los.

H – O Trampo já vai sair/já saiu, mas ainda dá pra adiantar e falar sobre essas pessoas que estão ajudando vocês na construção do Album?

Diego Edimí – O esquema do conteúdo foi bem parecido com o primeiro material, mas dessa vez conseguimos fazer de forma mais organizada, acredito que por todas as pessoas serem nossos amigos e curtirem a banda. Dessa vez recebemos colaboração de Pedro do Rótulo, Marreco da George Romero, Imarginal, Day, Fernando JFL do Cätärro e Henrique, um amigo nosso. Eu (Diego) e Wendell também contruibuimos. Foi algo bem livre e curtimos muito as idéias. Depois de tudo pronto a Livrinho de Papel Finíssimo nos deu uma ajuda na escolha dos materiais, na impressão e na produção do material físico.

H – Falando do álbum em si, como está sendo o processo de construção das músicas do mesmo e quando será possível encontrá-las de graça na internet num blog doidêra de downloads lá da Malásia… ou do bairro vizinho?

Diego Edimí – O processo de gravação já nem existe mais. Alugamos por 6 horas uma sala no Estudio 1 em Jardim Atlântico na quinta feira passada, Daniel levou os equipamentos de capitação e Átila e Wendell conseguiram matar todas as baterias e guitarras. Surgiu uma viagem pra Daniel e ele sugeriu gravarmos o baixo e a voz aqui em casa ontem (terça-feira). A acústica não é a ideal mas curti o resultado. A idéia é estar com o material físico no final do mês de novembro. Acho que não muito depois disso vamos colocar no bandcamp.

H – E falando em Malásia, Vocês em breve farão um giro por alguns lugares daqui do BR. Geralmente as bandas esperam para fazerem esse tipo de coisa quando já possuem material novo e tudo mais, mas sei bem como é complicado arrumar tempo coincidente pra todo mundo. Como foi/está sendo/ vai ser todo esse processo, já que vocês vão passar por um monte de lugar que nunca foram antes.

Diego Edimí – Na verdade estamos tentando ir com o material pronto. Imaginamos que daria tempo e estamos correndo atrás disso e torcendo pra dar certo. Como falei antes, aconteceu tudo de forma inesperada mas de algum jeito encaixou com os compromissos de todos da banda. Não esta tudo definido em relação as datas mas esta bem avançado. O show de Teresina, por exemplo, já foi anunciado e já ta rolando uma divulgação. Ta sendo foda todo processo, ninguém da banda já teve alguma experiência com um role um pouco mais longo e mais distantes. Acho que nenhum dos integrantes foi além de Alagoas (para o sul) e Rio Grande do Norte (para o Norte). Rola aquela tensão em relação ao que pode dar errado mas acredito que, muito mais, uma vontade de que esses dias cheguem logo e passem lentos.

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Quase um clip de Precipice & All we love we leave behind

Dia desses eu acabei encontrando esse video de duas músicas da Converge, até que o troço é legal e eu pensei em postar como “Da série ‘clips que deveriam virar filme'”. Só uma pausa para uma breve divagação, me questiono muito por que diabos o povo da converge dividiu isso em duas faixas no All we Love we Leave Behind, a única resposta que encontro é “se o tempo para o set for pequeno a gente não toca Precipice” só consigo pensar nessa explicação, nenhuma outra parece ter alguma lógica.  Precipice e All We Love We Leave Behind encaixam perfeitamente bem demais para serem duas músicas diferentes/separadas dá um saco na coisa junto com o vídeo.

mas dai, foi só dar uma procuradinha de nada nas internet e acabei batendo nisso aqui. A porra do vídeo vem mesmo de um filme, não que isso diminua a qualidade do troço em alguma coisa..

Rovdyr é um filme slash movie norueguês bem +-, já começa pelo fato de ser um slash movie, dirigido por Patrick Syversen; que filmou sei lá o que mais. Mas a pessoa que teve a ideia de juntar trechos do Rovdyr com as duas músicas da Converge conseguiu sim dar um passo à frente na história da humanidade. Tá certo que alguns segundos as coisas não parecem se encaixar muito bem e o video desencaixa da múscia… mas mesmo assim, o clima de slash movie dentro dessas músicas, as quais juntas possuem um tom bastante melancólico, dá um UP na coisa toda geral. Diria até que é uma boa pedida procurar o Rodvyr só pra você sacar um slash movie que não venha dos states. Caso você não seje fluente em norueguês, dá pra procurar por Manhunt por ai que dá no mesmo.


S.O.S Pogo

S.O.S Pogo

S.O.S Pogo

Basicamente,  o local está passando por uns perrengues e esse rolé é pra levantar uma grana a fim de não fechar o pico; palco de tantos e tantos rolés pelos lados de Jampa. De quebras, você chega por lá e saca umas bandas supimpas… tipo a Dí Dí Déx.


Não há planos, nunca houve um plano – Entrevista, Oathbreaker

Eu já falei um bocadinho sobre essa banda aqui no blog, mostrei clip; cartaz de tour e o escambau. Tá meio que no topo da lista de “descobertas +- recentemente” e eu indico pra qualquer pessoa de bem nesse mundo da camisa preta e bufenta, o bagulho é tenso, denso e chei de raiva. Dai, corri atrás desse papo e rapidamente vieram as respostas, bem formais até. Elas estavam esperando eu criar vergonha na cara o tempo certo para serem publicadas. Quem respondeu o lance foi o Ivo, que toca bateria na banda. E rapidamente nós falamos sobre coisas que foram, de certa forma, pouco abordadas em outras entrevistas que a banda já fez por ai. Lá vai…

Le Guess Who festival, Utrecht, Saturday 1st of December with Amenra. Pic by Tim van Veen

H – Eu tenho notado que bandas mais “metálicas” e “dark Hardcore” tem ganhado popularidade,  há até uma certa onda de posts mais ou menos do tipo “como se vestir como um crustie” em blogs… não que o punk não seja moda desde sempre. Maaaas, estamos lidando com uma torrente disso e de alguma maneira uma ou duas bandas estão sendo beneficiadas com essa coisa toda. Vocês acham que se enquadram nessa categoria? Vocês veem algum problema nisso?

Ivo – Existem posts ensinando a como se vestir igual a um crustie? É a primeira vez que eu escuto algo sobre isso! Eu não sei se a gente se encaixa em algum tipo de modinha, nós definitivamente nunca tentamos ser parte de uma. Começamos em 2008 tocando o que a gente queria tocar e continuamos apartir disso. Não é novidade que pessoas vão sempre querer se encaixar em movimentos undergrounds, eu só posso esperar que as pessoas entendam que nós somos uma banda verdadeira. A única razão pela qual a Oathbreaker existe é porque nós queremos que ela exista e nós precisamos que ela exista. Não há planos, nunca houve um plano.

H – Dividir o guitarrista com a AmenRa faz com que as pessoas esperem um som atmosférico e denso. Ao fazer um álbum inteiro baseado no siginifcado das cartas do tarô, eu acho que a banda contribui para essa ideia. Mas essa é a meta da OathBreaker, atingir tanta densidade que chegue a beirar um tipo de espiritualidade?

Ivo – Eu acho que há espiritualidade em todas as coisas, tudo depende de como você experiencia algo pessoalmente. Eu sou ateu, mas para mim a música é algo espiritual. Tendo isto sido dito, eu acho que Caro queria contar uma história pessoal em Mæstrøm e usou as imagens do tarô como base para as letras porque ela sentiu similaridades entre o que nós queríamos dizer e o que as cartas siginificam. No momento em que você faz algo de forma muito pessoal, isso quase que automaticamente se torna espiritual. Mas não é a nossa meta, é algo que acontece.
H – Como eu disse antes, e qualquer pessoa que busca informações sobre a banda sabe, Mæstrøm foi inspirado pelo siginificado das cartas do tarô. Vocês pretendem continuar produzindo álbuns “conceituais”? Como por exemplo “uma música para capítulo deste livro” ou algo do tipo?

Ivo – Na verdade, não. Produzir um álbum é um processo que demanda muito e você nunca sabe ao certo como vai ser. Fazer um álbum é um trabalho árduo, sacrificante e onde você espera que no final tudo consiga se encaixar. Nós estamos próximos à gravação do nosso próximo trabalho e mesmo nesse ponto, eu não tenho certeza de como vai ser.

H – Vocês lançaram o Mæstrøm, que recebeu ótimas críticas, e tocaram num monte de lugares; quais os planos para 2013.?

Ivo –  Em março, nós iremos gravar nosso próximo álbum no GodCity Studios em Salem, MA. Pouco depois, temos alguns shows marcados aqui e ali, mas além disso; nós não sabemos. Nosso foco principal agora é finalizar o álbum, o resto pode esperar.H – Os vídeos de Origin e Glimpse of the Unseen são desgraçadamente intensos, há uma bela simplicidade obscura neles, e vocês parecem ser bastante cuidadosos com os aspectos visuais da banda. Fotos, Flyers e tal… quem os cria e como vocês enxergam este lado da Oathbreaker?

Ivo – Tudo que você mencionou foi criado por pessoas diferentes, mas obviamente você sempre escolhe trabalhar com pessoas com as quais você se conecta. Algumas coisas foram nós mesm@s, algumas outras foram outras pessoas. Mas no fim das contas, você tem que se sentir confortável com tudo. Nós tentamos colocar tanto esforço no aspecto visual quanto colocamos na nossa música, porque os dois lados precisam trabalhar juntos e não um contra o outro.
H – Provavelmente a cena belga não é muito bem conhecida aqui no Brasil, como provavelmente a brasileira não é na Bélgica. O que você pode dizer sobre ela, de selos a pivetes com patches nas camisas? E sobre vir de um lugar que não é, digamos assim, focado pela cena hardcore mundial?
Ivo – Como a maioria das cenas, a belga vem e vai em ondas. Algumas vezes, nada acontece e de repente todas as peças se juntam e você tem uma cena hardcore fervilhando. Exatamente agora a cena está bem pequena e inativa, mas eu tenho uma sensação de que alguma coisa vai acontecer e tirar todo mundo dos seus lugares. Além disso, há bandas realmente muito boas atualmente na Bélgica. Procure Rise and Fall, AmenRa, Hessian, Blind Faith, The Black Hearth Rebelion, Toxic Shock, Imaginary Dictionary, Reproach
H – Caro possui uma voz capaz de atingir timbres ásperos e bonitos, como dá pra sacar no Mæstrøm, e provavelmente já perguntaram pra vocês mais de uma vez se há planos de explorar mais isso. Então, há?
Ivo – Nós tentamos evoluir nosso som como banda e tentamos explorar novas ideias e direções. Na música Agartha, que nós fizemos para o Split com a AmenRa, nós já experimentamos como vocais diferentes, se parecer adequado; nós certamente tentaremos outras coisas também.

H – A cena hardcore está imbricada com uma boa dose de política, ou de pessoas que pensam que estão mudando o mundo. Em entrevistas , vocÊs mais de uma vez disseram que isso não faz parte da Oathbreaker como um grupo, mas vocês como indivíduos possuem algum tipo de envolvimento. Então, não dá para negar que isto acaba influenciando a banda de alguma forma, como?

Ivo – Na verdade não influencia. Oathbreaker são quatro pessoas diferentes com perspectivas diferentes e históricos diferentes, mas nós encontramos nossos pontos em comun na nossa amizade. É claro, tudo que nós fazemos/dizemos como indivíduo sempre será ligado à Oathbreaker, mas até agora isto não foi um problema.
 
H – Se há alguma coisa que você queira dizer para as pessoas no Brasil que não conhecem e gostam da Oathbreaker…
Ivo – Sim, eu falei para vocês sobre a cena da Bélgica, me digam algo sobre a cena do Brazil! Obrigado pela entrevista eu estou lisjogeado pelo fato de que pessoas a meio mundo de distância se importem com coisas que nós criamos durante nossos ensaios.


Meio obscuro, meio melódico, meio alguma coisa: Skin Like Iron

Surgida em 2006 em San Francisco, EUA, e com uma penca de lançamentos por uma penca de gente diferente nas costas, a Skin Like Iron vem chamando um bocado de atenção pela sua mistura de melodia com peso com velocidade com instigação com raiva e riffs bonitins e pegajosos. É um tipo de som que faz a pessoa se jogar do palco como se não houvesse chão e entrar no rolé pront@ pra perder 2 dentes. A banda é mais uma das que ficam na categoria “dark-melodic” ou algo do tipo, com letras indo meio que por ai; uma coisa deprê/nihilismo.

Uma pequena pausa para falar das capas dos trabalhos da Skin Like Iron. Putamerda, elas são foda! Você tem todo o clima “sou profundo” que as letras tentam passar, dai as capas trazem uma noção praticamente espiritual sobre o lance. Shoray. Elas me remetem ao universo à vida e tudo mais, talvez ainda mais que isso.

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Há um bocadinho de tempo não rola alguma novidade sobre a banda e nem sei se ela ainda tá na ativa, mas vale mesmo assim dar uma sacada nos sons com “calma”. É mais que óbvio que rola de escutar pela internet um monte de sons deles e fazer download de outros tantos, o bandcamp da Skin Like Iron é quase um prato cheio. De bônus rola ainda esse show inteiro aqui, pra sacar sussa.

 


Papo cabeça, só que não, x2

Então, por esses dias foram parar na internet dois papos com integrantes de bandas que deveriam fazer parte da formação moral de qualquer pessoa de bem nesse mundo: Jacob Banon e Keijo Niinimaa. Os dois papos são bem diferentes, mas igualmente interessantes de sacar. Se você não fala a língua que o mendigo da sua rua sabe cantar quando tá bêbado, nem tente.

Rungs in a Ladder: Jacob Banon é tipo um doc-entrevista com o vocalista da mais que caótica Converge, feito pelo Ian MacFarland, onde ele foca justamente no que o tornou sequelado transformou na pessoa que ele é hoje, como ele lida com seus conflitos pessoais e como isso reflete na sua banda. Tem um tantnho de clima pretensioso, talvez criado por uma estética hypada do bagulho, mas vale a pena sacar; principalmente se você curte essa coisa de entender por que as coisas são do jeito que são. E principalmente, curte a converge… mas sem idolatria, sem idolatria.

E o Kaaos Zine, através da Kaaos TV, um coisa beeeem massa lá da Finlândia, trouxe esse papo rápido e diverso com a voz por trás dos berros na máquina de moer crianças chamada Rotten Sound. Da tour com a Nasum às expectativas para seus projetos musicais em 2013, o papo passa por muita coisa. Numa mistura de perguntas óbvias e respostas cretinas, os dois vão levando o papo numa leveza ímpar… mas é legal de sacar também, destaque para o finalzinho da entrevista… 8,5 de simpatia.


Sobre nós mesmxs, Parte III

Finalmente voltamos a publicar mais uma das mini entrevistas dessa série “Sobre nós mesm@s” e tamo na agulha pra mais algumas… do mesmo jeito de sempre. Se você não sabe muito bem do que se está sendo falado aqui, pode-se dizer que é um projeto de investigação sobre isso onde estamos tod@s metid@s… em doses moderadas e sob a perspectiva de pessoas também de dentro do lance; com a pretensão de virar um zine em papel pra ser rodado por ai e tudo mais. Caso você queira dar uma sacada nas outras entrevistas da série: dá um siligue aqui e aqui.

Quem empresta a voz e as ideias dessa vez é o Poney: que é da Violator, da Cidade Cemitério, mantém um lance chamado Distrito Vegetal; um blog pra quem é VEGetariANO se inteirar de um monte de coisas e conhecer lugares bacanas desses Brésyilzão; especialmente do DF; e sei lá mais o quê. Essa entrevista foi mandada pro Poney no começo de 2012, respondida na metade do ano e só tá sendo publicada agora em 2013… o Ultraman Tiga quis assim, sério. Antes tarde do que mais tarde, certo? Queria aqui pedir desculpas ao cara pela demora em publicar o lance, enfim. Algumas coisas podem parecer sem nexo, mas foi assim mesmo que ele respondeu : ]

Sem mais delongas.

Então, sou o Poney respondendo aqui o Hipercinza 5 perguntas, foi mal pela demora. Então beleza, vamo ai.

H – O hardcore possui uma ligação muito íntima com ativismo, militância e apoio a diversas causas, contudo não é dificil se virar pros lados e perceber um monte de banda que possui um discurso vazio ou fazendo algo muito distante, até mesmo oposto, ao discurso das suas letras algumas vezes: comofaz?

Poney – Bem, não faz na verdade né? Não sei, eu acho. Costumo brincar que faz parte de um saudável desencantamento do mundo a gente perceber as contradições,  os limites e mesmo os problemas desse meio que a gente gosta. Eu relaciono muito a cena a uma comunidade, apesar de muitas pessoas terem visões diferentes do que seria isso.  De qualquer maneira, ao mesmo tempo que você diz que o hardcore possui essa ligação muito íntima com militância, ativismo e apoio a diversas causas; o hardcore também possui uma ligação muito íntima com um “tentar se disfarçar de uma coisa melhor do que ele é”. Eu acho que a gente tem que ser muito crítico em relação a isso. É muito comun , especialmente quando a gente é mais novo, a gente se encantar. E é legal pra caramba esse momento em que a gente vê este espaço como um espaço onde as coisas podem ser melhores, diferentes e tudo mais. Mas, conforme o tempo vai passando,  a gente vê que os privilégios, as relações de poder e todas as coisas horríveis do mundo lá fora estão nesse nosso microcosmo aqui também. Acho que a nossa, a minha vontade; não vou dizer “tarefa” por que tarefa é horrível, tarefa tem a ver com dever de casa e é tudo coisa ruim. Eu não gosto desses imperativos categóricos, mas eu acho que as minhas vontades e os meus desejos, prefiro colocar em termos de vontades e desejos, são de tornar este espaço melhor. Um espaço mais igualitário; um espaço melhor; um espaço mais justo; um espaço mais aberto; um espaço mais livre. Mesmo que toda essa liberdade, esse sonho seja uma coisa impossível , seja uma coisa inalcançável, uma utopia distante.

Mas é de alguma maneira aquilo que o Galeano fala “essa esperança torta que a faz a gente continuar andando, faz a gente continuar se movendo” e eu acho que tornar este espaço melhor tem tanto a ver com reconhecer as nossas limitações, reconhecer os problemas e tudo mais. Reconhecer que nem tudo é assim e também, de repente, eu acho que como uma postura ética pessoal, tentar ser menos juiz mesmo assim, sabe? Se você leva essa coisa do ativismo, militância e apoio a diversas causas como algo importante pra sua vida, eu acho que isso ai pode muitas vezes estar independente da comunidade hardcore, da comunidade punk. Tem pessoas que nunca escutaram Crass e estão super envolvidas com várias causas e tem gente que, sei lá,escutou discharge a vida toda e é um babaca. Acho que não necessariamente uma coisa está ligada a outra. Eu gosto que estas coisas estejam conectadas, na minha vida elas estão conectadas. Me encanta uma ética que procura estar certa, mas não necessariamente cobrar que as outras pessoas tenham as mesmas posturas que você, eu não gosto essa coisa de cobrança. Como fazer talvez seja, não tô pregando aqui uma espécie de tolerância infinita, eu acho que a gente tem que ser intolerante com várias coisas. A gente tem que ser itolerante com homoofobia, intolerante com cristianismo, intolerante com misoginia intolerante com racismo, intolerante com todas essas cosias. Não é pragente entrar nesse discurso bobo e ingênuo de liberal de “vamos deixar as pessoas para expressarem todas as suas vontades , as suas opiniões”. Não, se a gente tá criando no nosso espaço,  a gente quer que este espaço seja, eu pelo menos, nessa criação, fazer parte dessa comunidade é uma constante criação, eu acho que tem a ver com tornar este espaço o mais acolhedor possível pra todo mundo e ai é claro que a gente não vai tolerar atitudes como estas, atitudes violentas, discursos de ódio e nada do tipo. Mas ao mesmo tmepo o que eu quero dizer é que a gente não tem que entrar numa atitude de trasnformar isso numa espécie de ética policialesca, que também é péssimo na verdade, o que pra mim é mais interessante é tentar que a política revolucionária, ou como você queira chamar, que a política radical seja um etrno desejo nosso, que essa militância ,que esse envolvimento seja um eterno desejo, que a gente se sinta interessado em fazer  esse tipo de trasnformação nas nossas vidas e no mundo a nossa volta. Não necessariamente fazer isso com resignação, como uma obrigação chata ou coisa do tipo. Bem, não sei se o que eu falei tem muito sentido, mas eu gostaria de dizer que todas essas cico perguntas eu talvez responda de um jeito meio confuso, cheio de contradições, mas eu acho que todas essas cinco perguntas são mais perguntas pra levantar questões e debates que pra a gente ter alguma resposta final acho que sua ideia não era muito essa assim.

H – Muitas bandas, além de todo o envolvimento com a “cena” em geral, tornam-se co-responsáveis pela construção das subjetividades dos indivíduos envolvidos com o underground. Como não tornar o discurso de transformação individual presentes nisso, no underground, uma outra prisão para os próprios pensamentos? Visto que isto é bem corriqueiro.

Poney – Bem, não sei. Acho que a gente tem q tentar manter uma eterna postura crítica mesmo, assim, eu acho. De questionar e não cultivar nenhum tipo de idolatria, nenhum tipo de endeusamento de ninguém que esteja nem mesmo na nossa própria comunidade. Nem mesmo a nossa própria cena. A nossa própria comunidade pode virar esse ídolo, esse deus, esse espaço intocável. Eu acho que tudo tá sempre sujeito à crítica, a ser questionado, balançado, e eu acho que manter isso é bastante importate assim. O problema é que, de repente, a própria postura crítica vira esse dogma inabalável e as pessoas acabam se tornado umas chatas também né? Eu acho que tá ai um desafio no balanço dessa coisa, mas eu acho que é bastante comun isso ai que você falou. As pessoas acabam trazendo este discurso de transformação individual como uma prisão pros próprios pensamentos. A ideia de você quebrar os muros dessa prisão sem muros é se manter sempre questionando, sempre aberto, se permitir pensar outras coisas e se questionar. Eu acho que isso tem muito a ver com manter a horizontalidade das relações, manter uma horizontalidade na vida.

Outra coisa que eu acho que é FODA, não é exatamente o que você comentou, mas eu acho que a gente fica muitas vezes no hardcore e no underground atrelado a um discurso de transformação individual que, de repente, vê política como essa coisa estritamente pessoal. Eu acho que é uma visão sencacional, eu acho que é uma das grandes revoluções dos anos 70 pra cá, da contracultura, do feminismo, que é você relacionar política e a vida cotidiana. Que é você extrapolar, você implodir as barreiras entre o que é pessoal e o que é político mas eu acho que é mais interessante quando você consegue combinar isso com uma comunidade. Talvez isso tenha a ver com a próxima pergunta, mas de qualquer maneira: política é você comer alguma coisa diferente, é você fazer um prato diferente, você andar de bicicleta é política também. Mas é que nem tem aquela música do jazus lá “se cada um fizer a sua parte, porra nenhuma vai mudar”. Eu acho que é mais ou menos assim mesmo, a gente precisa de articulações que extrapolem as nossas ações individuais e cotidianas pra de alguma maneiras chacoalhar e mudar determinadas estruturas poder. Porque a gente nã o tá falando só de, bem; é claro que; bom a gente tá sempre falando de; a gente escuta  que nem papagaio louco no hardcore sobre “transformação pessoal” “revolução pessoal” “a revolução começa com você”, mas tudo isso é sencacional. Eu me afilio e assino embaixo de tudo isso e eu realmente acho que a gente tem que começar mudando a gente mesmo, mas só pensar em se mudar não é o suficiente. A gente tem que pensar no mundo que tá a nossa volta.

H – O D.I.Y é, até onde eu sei, uma postura que surge/se desenvolve dentro do  cenário punk, como uma forma de agir para além das estruturas de mercado, e em sua absorção pelo mesmo demônio que bradava combater ultrapassou as fontreiras do nicho no qual surgiu. De uns tempos pra cá, e bota tempo nisso, começa-se a pensar em Do It Together como uma forma de extrapolar o D.I.Y, este é o caminho ou são apenas mais 3 letras para uma camisa cool qualquer?

Poney – Bem, eu nunca vi essa coisa do Do It Yourself como uma coisa solitária não. Eu acho que a gente pode dar diversos significados pra isso e o siginifcado que eu penso sempre que a gente tá falando de Do It Yourself é um sentido coletivo pra isso. Então, de alguma maneira esse Do It Together estaria dentro disso, eu acho. O que eu acho que falta, mas que a ênfase no youself ou no together é a ênfase no do, é a ênfase no fazer, por que eu acho que faça você mesmo tem a ver com fazer e a gente muitas vezes se esquece disso, muitas vezes é chato e tem muitas dificuldades e dá trabalho pra caralho e a gente muitas vezes se lasca. É trabalheira pra caramba, eu acho que falta muita ênfase no fazer. Não que eu queira pregar qualquer tipo de ética do trabalho, nem nada do tipo. Eu acho que essa ética do trabalhador calvinista é a ética que mais se casa bem com o capitalismo. Eu acho que a gente não vai conseguir combater essas coisas estabelecendo um ritmo de bater ponto no underground, ou qualquer coisa do tipo. Transformando isso em profissão, trabalho, cobrança, nem nada do tipo. A ênfase no fazer não necessariamente tem a ver com profissionalizar e transformar em trabalho a nossa produção de contracultura, mas eu acho que tem a ver com produzir. É importante que a gente tenha enfase na produção, em fazer as cosias. Criar. Eu acho que isso falta mais que o sentido de comunidade que pra mim sempre esteve muito forte. E como eu falei, eu  vejo essa cena como uma comunidade. Esse nosso espaço de fazer as coisas junto sempre vi dessa forma.

Assim como é  Do It Youself, mas certas palavras podem receber sentidos diferentes dependendo das pessaos que tão falando. Autonomia, por exemplo; que é um conceito que eu acho que está completamente ligado à essa ideia do faça você mesmo. A autonomia pode ser uma coisa super babaca de virar uma ideia de um quase “auto policionamento” de você de alguma maneira introjetar todas as regras de conduta sociais em você de alguma maneira. E você não precisar de nenhuma tutela exterior. E você mesmo vai se tutelar e seguir de acordo com as normas, o que seria o estágio último da sociedade de controle que o Deleuze fala, esse estágio último, esse policionamento. A não necessidade das instituições disciplinares, a não necessidade da escola, do professor, da prisão, da políca, porque você mesmo faria esse papel de polícia, de professor, de pai de todas essas coisas essas coisas horríveis. Então, autonomia pode ter esse sentido horrível . Mas, pra continuar, pode ter um sentido maravilhoso que é de alguma maneira você criar as suas próprias normas e de alguma maneira não pensar em autonomia como uma independência total. Mas como, na verdade, uma dependência das pessoas daqulea comunidade e de uma criação comunitáira. Bem, eu acho que este exemplo da autonomia tem tudo a ver com o Do It Yourself e é mais ou menos isso, mas é claro. Talvez algumas pessoas entendam do it yourself como uma coisa egoísta, solitária, misantropa talvez. Mas eu sinceramente não vejo dessa forma, nunca vi. Eu vejo como uma criação comunitária o Do It Yourself como uma tentativa de retomar as produções. Colocar as nossas vidas nas nossas mãos, de alguma forma.

Claro que também, ligada àquela pergunta número um, também não é uma coisa de a gente achar que pelo fato dagente estar gravando uns discos ou tocando as nossas músicas a gente tá fazendo uma grande revoluçao e mudando todo o mundo. Acho que talvez no dia que a gnete estiver construindo as nossas próprias guitarras movidas a energia solar ou alguma coisa do tipo a gente pode se achar um pouco mais. Por enquanto, é uma maneira dagente repensar, retomar um pouco mais as nossas vidas na medida que a gente consegue. Sempre , claro que sempre tem estruturas que são muito maiores que a gente e que a gente sempre vai buscando um espaço pra escapar, sempre tem um espaço pra escapar . isso é o que eu acho importante pensar, sempre tem um espaço pra o desvio e a gente vai desviando da maneira que a gente consegue. As vezes, organizar um show, escrever um texto,  é a maneira que a gente consegue se desviar. Mas tem muitas e muitas maneiras . O desvio é justamente aquela coisa que pode fugir a qualquer armadura.

H – Bem, este aqui é um troço que sai apenas na internet e todos já estamos cansados de ler sobre a relação do mercado de música e rolé underground com ela. Maaaaass: hoje as bandas só mostram seu som na internet, shows são divulgados apenas na internet, shows ocorrem apenas para a internet, coletivos; lojas; zines tudo migra para a internet, internet, internet… todo mundo que é grandinho sabe: ela não está ai para todos e não é essa linda terra livre: yay?

Poney – É, pois é: muito complicado isso mesmo. O que você falou é perfeito, a gente é grandinho e a gente sabe de todos os problemas e contradições da internet . A gente é grandinho o suficiente pra saber que a tecnologia não é neutra. Que este discurso de que existe neutralidade nas técnicas é conversa pra boi dormir. Mas ao mesmo tempo eu não acho que seja uma coisa necessariamente fechada. Como você tem o Hipercinza, ou outras pessoas tem outros espaços, a gente consegue de alguma maneira ir torcendo isso. Tá em disputa, assim como existe espaço pro desvio, existe espaço pra disputa. A gente pode tentar transformar isso numa coisa melhor, numa coisa mais bacana. Eu acho que tem prolemas, mas a gente tem coisas bacanas na internet também. A gente tem uma distribuição de música livre, a gente tá trocando essa ideia agora por meio disso. Então, a gente tem que pegar os pontos em que a gente consegue torcer e tentar torcer eles até ranger, mas sempre consciente desses limites. Eu acho que o importante é isso. Eu acho que é não se iludir com essa aparente liberdade, essa aparente liberdade é a falsa propaganda liberal. É exatamente a mesma propaganda que provavelmente vai pregar que existe uma mão invisível  do mercado que ninguém precisa regular e que ela vai se auto regular sozinha e que as coisas vão pender para as melhores trocas e negociações mais justas e tudo mais, que o mercado e o capitalismo financeiro funciona independente de algum tipo de regulação por que ele é a soma das vontades individuais e tudo mais .

Acho que não é o foco aqui, mas eu acho que sses discursos são mito conectados, então a gente ter noção dos limites é alguma coisa. Pra mim particularmente, toda essa coisa do punk e do rock em geral é uma coisa muito corporal assim é muito corpo e é muito biológico assim. O show as vezes pra mim tem muito a ver com essa coisa corporal, depois de um show do Violator eu fico completamente esgotado. Por que pra mim tem a ver com isso, tentar promover uma troca de energia com as pessoas que estão ali que é muito intensa pra mim e que me acaba depois, então, pra mim ainda continua sendo uma coisa muito corporal e o mais importante é a troca que esse nosso subterrâneo promove essa troca de energia. E lá a gente tem troca de ideias também, a gente troca várias coisas. E ai talvez tenha a ver com a primeira pergunta ainda assim, que muitas vezes, sei lá… agora mesmo eu tô lendo a auto biografia do Jhonny Ramone, tava lendo agora ha pouco antes de responder essa entrevista e o cara é o cara mais reacionário do mundo. É o mais babaca americanóide que você possa imaginar, mas ao mesmo tmepo, como diz um amigo meu Daniel, ele falou isso pra mim pouco antes deu começar a ler o livro e isso na verdade foi uma das coisas que me deu vontade de ler o livro. De alguma maneira, mesmo sendo esse republicano babaca ele conseguiu criar um jeito de fazer música que colocou a juventude, os jovens num anseio por liberdade. Então, as vezes as coisas podem não ser tão explicitamente militantes ou tão explicitamente relacionadas com ativismo, mas simplesmente aquele amplificador estourando de distorção pode ter algum gatilho transformador nas nossas vidas e que pode ser potencialmente politizável. Eu acho que as coisas não são necessariamente políticas. Straight edge não é necessariamente político, o hardcore ou várias de nosas posturas; ou o andar de bicicleta. Todas essas coisas não são necessariamente políticas. Mas tudo  é política em potência, se você quiser politizar todas essas coisas. E eu acho que tem espaço pra isso. Eu acho particularmente interessante politizar essas coisas. Me interessa politizar essas coisas, me interessa politizar o underground. Me interessa politizar os nossos shows de punk rock pra 50 pessoas, me interessa politizar o straigh edge e a bicicleta e o veganismo e tudo mais. Tudo isso é política em potência, eu acho.

Agora, de qualquer maneira é isso, o que eu tava falando é isso. Pra mim a coisa ainda é muito corpo, por que aquele som  ensurdecedor explodindo naquelas caixas de som é muito forte pra mim. É apaixonante e tem a ver com desejo e tem a ver com paixão. Todas essas coisas que pra mim são indisçossiáveis. Sentar no computador e ver vídeo do youtube, a coisa não tem a mesma força pra mim e todo esse rolê tem a ver com força, com desejo, com vontade tudo isso, asism, sabe? Pra mim não é só internet. É claro que talvez, sei lá, pra quem nasceu em 94 e tá com 18 anos já e é um outro planeta. Essas pessoas tem uma outra vida, um outro mundo e tudo mais. Se o futuro for só internet e as pessoas estiverem felizes assim, tudo bem. Eu acho que este é um dos sintomas dos shows que a gente toca serem cada vez mais vazios. A gente toca para cada vez menos gente assim por que talvez  as pessoas estejam cada vez menos interessadas naquela coisa orgânica. Eu talvez, apesar de ainda me sentir jovem, já faça parte de uma outra geração. Vou ficar lamentando ou chorando as pitangas por causa disso não, tudo bem. As próximas gerações que tem que decidir como vão continuar as suas produções, eu já decidi a minha.

H – O tempo nos joga dentro de fluxos e refluxos em qualquer atividade continuada que seja, até mesmo no underground: pasmem. Contudo, aparentemente as fileiras de camisas pretas veem minguando a cada mudança que se segue no calendário. O rock doido, o rock du mal está cada vez mais bonito e com menos gente: Como sobreviver dentro do underground e como trazer mais pessoas para dentro dele?

Poney – Bem, eu não tenho pretensão nenhuma de trazer mais pessoas para dentro dele, na verdade. Sendo bem sincero, com aquilo que eu comentei antes, pra mim, um exercício ético interessante é fazer as coisas que eu acredito sem cobrar das outras pessoas que façam a mesma coisa. Ao mesmo tempo eu gostaria de fazer e produzir as coisas que me interessam sem necessariamente  ter uma postura de pastor de tentar trazer mais pessoas pra dentro disso. Acho que esse tipo de pregação é muito comun no underground e tem muito a ver com uma mentalidade cristã. E eu tô completamente interessado em abominar, eliminar e descartar nos mais variados e mais amplos sentidos que uma mentalidade cirstã possa ter. Eu acho que essa ideia de que é preciso que haja mais pessoas em nossas fileiras tem a ver com isso. Se tiver que acabar, acaba. Eu acho que a gente ainda se relaciona, principalmente o hardcore, principalmente o straigh edge, se relaciona muito mal com o fim das coisas e eu sou muito assim sabe? A gente tem essa mentalidade do young ‘till i die, eu vou ser jovem até morrer e acaba criando uma síndrome de peter pan que é horrível. Que nega o nosso corpo, que é uma negação que em algum sentido é meio cristã também. Não, a gente tá envelhecendo, a gente tá morrendo, a gente não vai ser jovem pra sempre e isso é legal também. As coisas tem um fim também, se tiver que acabar; acaba. Eu acho que não tem que ficar forçando. Isso é um exercício pra mim também, eu sou muito assim: eu não gosto que as coisas acabem. Eu sempre penso que tudo vai ser pra sempre e que nós vamos ser uma comunidade linda e bonita e amigos pra sempre curtindo shows de punk no subterrâneo para sempre. E talvez não seja assim. Eu já tô mais perto dos 30 que dos 20, eu faço 27 anos essa semana e talvez esteja meio velho pra fazer outras opções. Eu sei o que é que eu gosto e eu gosto disso, se tiver menos pessoas interessadas, tudo bem.

Minha vida inteira eu sempre me senti muito acostumado a estar deslocado, eu acho que todo mundo que de alguma maneira tem alguma vivência dentro do underground se sentiu deslocado. Eu acho que a gente se encontra no underground justamnete por que a gente não se enconrava em outro lugar nenhum. Nas aulas de educação física, na escola, na igreja. Em nenhum desse lugares a gente se sentia a vontade. Então, o sentimento de deslocamento já tá caminhando com a gente  há muito tempo e se a gente tá envelhecendo a gente tem que aprender a lidar com esse sentimenteo de deslocamento pra valer, até as últimas consequências. Ver o fm da comunidade que a gente faz parte e tudo bem. Agora como você falou, as coisas também tem fluxos, as coisas são muito geracionais, só pra dizer o outro lado. As coisas no underground são bastante geracionais, essa coisa da juventude ainda é muito forte. As pessoas ainda estão aprendendo a envelhecer aqui no Brasil, se você viaja na gringa a gente vê pessoas mais velhas. Em são paulo eu tenho vários amigos que estão mais perto dos 40 que dos 30. Aqui em Brasília a gente tem algumaspessoas também, mas são poucas pessoas.

De qualquer forma, a gente ainda tá vendo as primeiras gerações envelhecendo dentro disso. Essa coisa de juventude pode ser cruel, esse culto a juventude pode ser cruel com quem quer envelhecer se sentindo parte desse subterrâneo. A gente tá aprendendo isso ainda. E ao mesmo tempo que isso é cruel com quem envelhece e desestimula as pessoas a continuarem no rolé, ela faz com que as pessoas saiam muito; que as coisas sempre sejam muito cíclicas. Se você ai na sua cidade tá sentindo que as coisas tem menos gente, pode ser que daqui a outros cinco anos exista um outro novo boom também e ai as coisas diminuam de novo . isso é pra dizer um outro lado, eu não sei e nem quero me colocar na posição de prever alguma coisa. Tudo que eu queria dizer é que se tiver que acabar e as coisas acabarem, tudo bem. Eu é que não quero ter a postura de ser uma espécie de pregador  do underground pra trazer mais gente, se tiver que acabar; acabou. Mas talvez não seja assim, aquela história que a gente sempre escuta o ian macane “enquanto houver um garoto deslocado que pegar uma guitarra sempre vai existir o punk rock” talvez seja verdade e talvez não, não sei. O que eu sei é que eu já não me sinto a vontade em lugar nenhum, eu me sinto a vontade nesse espaço nessa comunidade. Como eu falei, todas essas coisas teem a ver com desejo, com vontades, com paixões e enquanto eu cotinuar sentindo essas coisas eu vou querer continuar a produzir e fazer barulho e escrever sobre como a gente pode tentar fazer desse espaço que a gente vive um lugar melhor e ir tentando fazer desse espaço um lugar melhor. E se tiver que acabar, beleza; o último que sair apague a luz. Sem nenhum apego pela nossa comunidade, sem nenhum apego pela humanidade mesmo.

Valeu ai Eurick, depois você organiza toda essa fala confusa, se quiser, valeu?  Abraço.