A beleza além da conta de Subconscious Cruelty.

Certamente, um filme para poucas pessoas. Por mais que blogs de reviews cinematográficos o coloquem no topo de listas com filmes perturbadores ou algo assim, esta joia rara do cinema apresenta uma sublimação; uma “estetização”, de alguns dos impulsos mais íntimos dos demônios interiores da humanidade. Embora em alguns momentos possa parecer apenas uma sucessão de divagações acerca da natureza humana, iluminada seja a pessoa que disponibilizou este filme na internet para as pessoas com preguiça de download.

 

Quem viu, viu.


Quase um clip de Precipice & All we love we leave behind

Dia desses eu acabei encontrando esse video de duas músicas da Converge, até que o troço é legal e eu pensei em postar como “Da série ‘clips que deveriam virar filme'”. Só uma pausa para uma breve divagação, me questiono muito por que diabos o povo da converge dividiu isso em duas faixas no All we Love we Leave Behind, a única resposta que encontro é “se o tempo para o set for pequeno a gente não toca Precipice” só consigo pensar nessa explicação, nenhuma outra parece ter alguma lógica.  Precipice e All We Love We Leave Behind encaixam perfeitamente bem demais para serem duas músicas diferentes/separadas dá um saco na coisa junto com o vídeo.

mas dai, foi só dar uma procuradinha de nada nas internet e acabei batendo nisso aqui. A porra do vídeo vem mesmo de um filme, não que isso diminua a qualidade do troço em alguma coisa..

Rovdyr é um filme slash movie norueguês bem +-, já começa pelo fato de ser um slash movie, dirigido por Patrick Syversen; que filmou sei lá o que mais. Mas a pessoa que teve a ideia de juntar trechos do Rovdyr com as duas músicas da Converge conseguiu sim dar um passo à frente na história da humanidade. Tá certo que alguns segundos as coisas não parecem se encaixar muito bem e o video desencaixa da múscia… mas mesmo assim, o clima de slash movie dentro dessas músicas, as quais juntas possuem um tom bastante melancólico, dá um UP na coisa toda geral. Diria até que é uma boa pedida procurar o Rodvyr só pra você sacar um slash movie que não venha dos states. Caso você não seje fluente em norueguês, dá pra procurar por Manhunt por ai que dá no mesmo.


A trilogia do silêncio

Eis aqui uma verdadeira pedrada vinda diretamente do mundo do cinema no meio da sua cara, embalada num pacote estético absurdo. Simplesmente pelo fato de serem antigos e em tons de cinza, os filmes tem sua carga dramática drásticamente intensificada, o que acaba combinando extremamente bem com o tom metafísico das problemáticas apresentadas nas narrativas. Esses filmes de Ingmar Bergman questionam intensamente a tentativa de contato do ser humano com o divino por um lado, pondo este como inxistente; indiferente ou algo próximo a isso. Pelo outro, eles exploram a dificuldade existente na comunicação do ser humano com seus semelhantes e os devastadores conflitos existentes no convívio íntimo gerado por ela. Um dos grandes brilhos do cinema de Bergman é não jogar respostas, assim como aquilo que entendemos hoje como as boas obras; eles lançam perguntas… e são perguntas difíceis, extremamente difíceis.

Quase tudo hoje em dia no cinema de entretenimento é ou vira trilogia por motivos puramente comerciais, mas esses filmes são de beeeem antes disso. São de uma época em que fazer trilogia geralmente siginifcava ter algo a se dizer e, incrívelmente, são, segundo o próprio Bergman, fruto de uma onda de trilogias. Mas esses filmes certamente dizem algo, algo que não é fácil de ser digerido ou dito. E como são conhecidos em conjunto, nos deixam em silêncio; pensando sobre o silêncio; ou tentando suportar o silêncio.

O primeiro filme da trilogia conta um drama familiar temperado com uma boa dose de algo como uma esquizofrenia misturada a incesto; indiferença; isolamento e dúvidas. Um corpo que definha e leva junto a mente, ou o inverso, arrastando consigo, em seu definhar, todo um grupo de pessoas.

No segundo filme, temos uma pequena comunidade dos fiéis de uma paróquia abalada por medos gigantescos; um balé de amor e ódio e a morte, e um pastor dividido entre o esforço hercúleo de condizir a todos e a desistência frente às suas imensas dúvidas. O inverno se apresenta como o fim dos ciclos, onde não resta ou resta pouca vida e o filme apenas nos dá um vislumbre de um possível recomeço.

No terceiro filme o silêncio divino encontra seu ápice. Duas irmãs viajam juntamente com o filho de uma delas e sua incomunicabilidade atesta o total silêncio existente na dimensão metafísica e na cotidiana. Quando não há o silêncio, há a incompreensão; o diferente e o outro e isto é apresentado como algo tão, ou mais, horrível que o silêncio.

O próprio silêncio intensamente presente nos filmes de Bergman se mostra como elemento significante nessas obras, quando o peso do silêncio parece esmagar e sufocar as pobres criaturas perdidas nos infortúneos da existência.

Veja os 3 em sequência, de uma vez só se possível. Mais e um pouco mais sobre a trilogia.


Pausa

Porque sabe-se muito bem que, no carnaval, sair de preto é suicídio.

Pintura das camisas domingo pela manhã, na subsessão localizada no bairro da Mustardinha; Recife.

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Não deixe o grind moreeeeerr!! Não deixe o grind acabaaaarr…


Le Manoir du Diable

Considerado o primeiro filme de horror da história, Le Manoir du Diable, do lendário Georges Méliès, é uma obra feita em 1896 com pouco mais de 3 minutos. Nela, um demônio adentra um castelo na forma de um morcego e conjura diversas criaturas para atormentar seus visitantes; ou moradores; em uma sequência de cenas provavelmente perturbadoras para a época: tendo em vista a ascenção até então recente do cinema enquanto mídia. Os efeitos especiais de Méliès certamente estavam anos luz a frente de qualquer outra coisa feita por seus pares, sem falar na caracterização dos personagens. Uma pérola do cinema, da época de seu início.


Sons para ouvir após o fim do mundo

O mundo acabou, nós é que ainda não percebemos. Para de certa forma celebrar isso e marcar o começo do blog em 2013, toquem fogo em tudo e ao redor das chamas dancem.

 

 

Sim, o coro de Aleluia de Händel. A peça foi composta tendo como inspiração a segunda vinda de Jesus à terra: se você fez aula de catecismo deve saber muito bem do que eu tô falando. A parte legal é que não é piada. Mais legal ainda é saber que de alguma forma ela agora faz parte do imaginário popular como algo um tanto diferente de seu propósito original, talvez nem tanto.

 

Eu simplesmente acho essa uma das músicas mais absurdas da existência. Ela consegue, em menos de 1 segundo, ser mais conceitualmente densa que boa parte de toda arte produzida pela humanidade e bater num dos pontos cruciais da experiência humana. Se é pra pensar em algo apropriado para um pós apocalipse, eu pediria um repeat infinito de “You Suffer”  um repeat infinito de “You Suffer” um repeat infinito de “You Suffer”…

 

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4:33, de Jhon Cage, esta também está na lista das melhores músicas já compostas, inclusive eu já falei dela aqui. Seus questionamentos facilmente extrapolam as barreiras do campo musical. Também acho que pouca coisa seria mais apropriada para se ouvir quando tudo………………………………………………………………………………………………………………………………
To be continued…


Salto para o Vazio

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Yves Klein, Salto para o Vazio; 1960. É uma montagem com fotografias tiradas por Harry Shunk e Janos Kender a pedido de Yves. Mas quem liga? A foto é foda e ponto.