A beleza além da conta de Subconscious Cruelty.

Certamente, um filme para poucas pessoas. Por mais que blogs de reviews cinematográficos o coloquem no topo de listas com filmes perturbadores ou algo assim, esta joia rara do cinema apresenta uma sublimação; uma “estetização”, de alguns dos impulsos mais íntimos dos demônios interiores da humanidade. Embora em alguns momentos possa parecer apenas uma sucessão de divagações acerca da natureza humana, iluminada seja a pessoa que disponibilizou este filme na internet para as pessoas com preguiça de download.

 

Quem viu, viu.


Demônios e outras coisas belas.

Apesar de ser gamer confesso, leitor de Si-Fi e fantasia e fanático por história, Wayne Barlowe luta desesperadamente para ser normal, ao menos é o que ele atesta numa entrevista. No entanto, sua imaginação é povoada por seres surreais; tortos reflexos das mais belas bizarrices humanas. Você muito provavelmente já viu o trabalho dele em algum lugar. Em um filme ou em um livro, talvez tenha visto em um jogo. Existe também a pequena possibilidade de ter lido o God’s Demon, um livro de sua autoria que nos apresenta a rica visão de barlowe sobre o inferno e a história de Sargatanas: um Demônio das mais altas hierarquias infernais insatisfeito com sua posição.

Barlowe é filho de um casal de ilustradores e desde sempre foi metido com isso, desenhar coisas pouco ou não vistas pelo olho. Entre outras coisas, frequentou a Art Students League em Nova York  onde se concentrou na velha fórmula “estudar anatomia + desenhar + ler fantasia e ficção científica“. Porém, um de seus primeiros trabalhos foi ilustrar um guia acadêmico sobre insetos. Pouco tempo depois publica um livro similar, Barlowe’s Guide to Extraterrestrials… começava a piração.

Bem, nada do que eu disse até agora está muito fora do que pode ser lido na biografia publicada no próprio site do Wayne. Mas, atentem para as imagens…

Bem, o cara já ilustrou capa pra mils gentes diferentes e sempre trampa com esse ar de esquisitice e obscuridade: pode procurar nas internet. Uma linha dos seus trabalhos mais famosos é justamente o que mais interessa a mim: suas ilustrações do inferno. Barlowe é fanzoca do Paraíso Perdido de John Milton e até já havia tentado fazer alguma coisa ambientada no submundo antes de lê-lo, tendo o Inferno de Dante como referência. Maaaas, confessa que o livro de Milton mudou completamente a sua visão sobre a coisa… e pra melhor. Até começou a pesquisar sobre mitologias infernais, cultos, lendas e outras coisas obscuras depois do início de sua série sobre o inferno. Tudo isso para dar um ar verossímel à coisa, conseguir um mix atemporal e multicultural do inferno. Todo esse aprofundamento no tema só torna o trabalho do cara mais realista, digamos assim. Acho extremamente válido.

Ele diz, em mais de uma entrevista dele na na net, não gostar muito do rumo tomado pela Si-Fi e pela fantasia nowdays… tá certo, existem porrilhões de cópias do Senhor dos Anéis e de Star Wars ou dos livros de Aasimov por ai, toda pessoa em sã consciência dá crédito pra essa alegação dele. Mas filtrar sempre é bom e enrriquecedor. Recomendaria a trilogia de Bas Lag, por exemplo… mas isso fica pra depois.

Voltando ao trampo do Wayne, especificamente da série sobre o inferno; a qual ele apresenta em 2 livros Barlowe’s Inferno Brushfire: Illuminations from the Inferno, o cara consegue se distanciar dos clichês e criar um inferno extremamente atmosférico com uma dinâmica toda própria; nenhum bode. Wayne nos mostra uma arquitetura colossal e imponente povoada por seres consistentes em suas imagens de sofrimento e/ou desumanidade… é pra impressionar mesmo, dar aquela noção medieval de sermos insignificantes. Ver os trabalhos dele e ler as descrições do mesmo sobre as imagens é sobrevoar um mundo de devastação e agonia, talvez nas asas de alguma coisa morta há muito tempo; um longo voo pavoroso ao som de gritos.

O God’s Demon, o romance escrito por Barlowe, inicialmente seria uma filme. Acabou esbarrando nos efeitos especiais, no fraco roteiro e na descrença de qualquer investidor. Foi retrampado, ficou mais maduro, e virou livro, talvez tenha até sequência; quiç´seja uma trilogia. Li isso em alguma entrevista com ele um tempo atrás. Caso inventem de filmar esse inferno tão peculiar, aposto desde já em boas e perturbadoras imagens. Só pra dizer que eu coloquei uma lista pequena de onde você já pode ter visto o trampo dele no conceptart em algum filme por ai,dá uma olhada em Hellboy I e II; Labirinto do Fauno; O dia em que a terra parou; Blade II; John Carter of Mars; Avatar; Harry Potter e… e… e…Blade II, Avatar, 2 filmes do Harry Potter? Vacilou, né  Wayne?!? Mas ele fez os concept arts pra o esperadíssimo The Hobbit e isso meio que limpa o nome. Que Djabos é concept art?

Não que todos os filmes da lista sejam bons, na verdade a maioria não passa de “éh, legalzinho… : / ” mas negar que o visual dos monstros não é, no mínimo, interessante é negar o óbvio. Enfim, em tempos onde Diablo III é mais colorido que a vila dos smurfs, vale muito dar uma olhada para o inferno de Barlowe e pensar “Isso sim é desesperador!”.


Ragni

Sempre curti quadrinhos, sempre vou curtir. Desde alguns mais bonitos e cheios de poesias aos mais tenebrosos (que também podem ser cheios de poesia), há o que ver sempre. A fusão da narrativa escrita com as sugestão narrativa das imagens é um encontro extremamente fortuito e, por mais próxima e inserida na cultura pop que esteja a linguagem (sim, estar inserido na cultura pop pra mim é um comentário quase sempre pejorativo), pode nos levar a revolver os alicerces daquilo em que acreditamos; isso está muito longe de ser algo simplório. Estamos nos dando conta disso, finalmente.

Ragni é uma webcomic de Karl Kerschl, mais conhecido por seu trabalho na DC Comics. cheia de poética, sim; webcomic: prato cheio para quem acredita na na renovação das linguagens e formatos. Caso você nunca tenha visto, lido ou ouvido falar de uma webcomic…… ¬¬  Enfim, Ragni é uma bela representação de ânsias, desejos e esperanças humanas… uma tradução de alguns momentos onde o olhar buscar respostas onde não há nada. Todas as páginas já estão no ar há um bom tempo, pois nem toda webcomic precisa ficar se arrastando indefinidamente por páginas e mais páginas; isso é vício de comics, e em poucos minutos toda a história é destrinchada. Recomendo bastante essa pequena e simples peça, leia com serenidade e em algum momento em que o ambiente esteja silencioso. Ou ponha Mono pra tocar, mas não muito alto.

Preface

Big Moto Blu.

Muito provavelmente, se você tem um pingo de interesse por street art… ou amigos descolados nas redes sociais,  você já viu as animações dele, são uma mistura de lisergia pesada com crítica social ácida; coisa fina. O cara de que eu estou falando adotou o nome de Blu e vem da Itália, não sei muito sobre e nesse caso não me importo. Ele já esteve aqui no Brasil, conheci quando o trampo dele por aqui repercutiu um bocadinho. Além de fazer uns trampos bem bolados pelas paredes desse mundãozão ai, ele também faz as famigeradas animações fundindo grafitage e stop motion… isso deve dar um trabalho de doer na alma.

Da pra sacar no site dele praticamente todo o histórico de trabalhos do indivíduo, inclusive com algumas fotos do processo; afinal muito da arte contemporânea se trata disso. Rola também de ver algumas coisas feitas pra outros suportes que não a rua e ficar por dentro, pra você que gosta de acompanhar a vida d@ outr@s, das coisas que ele anda fazendo recentemente através das atualizações. Voltando às imagens, só pra não dizer que eu não fiz uma breve crítica ou resenha do troço e meio que justifiquei sua presença aqui; se é que eu tenho que justificar algo: ………...zzZZZzzZzzZZ

"Se você não mora na argentina, apenas troque as cores da bandeira." Recomendação do próprio artista.

 

https://i1.wp.com/blublu.org/sito/walls/2009/big/022.jpg

https://i2.wp.com/blublu.org/sito/walls/2008/big/019.jpg

https://hipercinza.files.wordpress.com/2012/01/blubrasil.jpg?w=225

O trampo dele aqui no Brasil, do qual eu falei ali em cima.


A brutalidade do traço de Mark Riddick

Eu já devo ter falado de Riddick por ai centilhões de vezes, mas táqueoparil: que trampo cavalar do infernos!! (tum dus tiss) A lista de coisa que ele já fez é, no mínimo, imensa e eu fico procurando alguma coisa que seja “mais ou menos” na lista de trampos dele… pra quê? Vendo o trabalho do cara e há quanto tempo o indivíduo tá nessa de fazer ilustração malevolente, é fácil olhar pros lados e ver um monte de gente copiando brutalmente o traço do Riddick; bem fácil mesmo. É óbvio que ele não inventou tudo isso do dia pra noite, toda essa iconografia, essa estética blábláblá de Albrecht Dürer a H.R Giger dá pra ver que ele tem umas influências pesadas, mas quem não tem hoje em dia? O que importa agora é que o trampo dele é muito foda e nada além disso.

Tá, dizer que o trabalho dele é bom = chover no molhado. Maaas, o cara não se tornou referência no underground das ilustrações do dia pra noite. Ele é graduado em Studio Art, o que eu creio que seja algo como ilustração ou design, e tá ai atuando na área desde antes de lançarem o Mortal Kombat pro Arcade… = puta tempo, meo. Rola de confirir uma entrevista bruta com ele no site da CVLT Nation, que é mais uma possível digevolução desse blog aqui, e uma fuderosa no Metal Maniacs fique bem por dentro da mente perversa do invidíduo lendo essas duas entrevistas.

De surreal pra baixo é como eu classificaria isso, é o ápice; ou quase, do embelezamento de tudo aquilo que é desumano… coisa fina. Zumbis, demônios, ocultimo, tripas, monstruosidades, deformações, sofrimento, ódio e coisas piores fazem parte das imagens criadas por Riddick, do repertório de imagens perturbadoras criadas por ele. Na minha opinião, elas ultrapassam facilmente o nicho para o qual foram criadas, o propósito para o qual foram criadas. Vão bem naquela linha de espelho da contemporaneidade, daqueles que mostram tudo aquilo que está ali, mas ninguém quer encarar. Enjoy.

 

 Desça às profundezas do  riddickart.com


Transfiguration – Olivier de Sagazan

Há um bom tempo eu queria postar isso aqui, mas não conseguia lembrar o nome do figura: Olivier de Sagazan. Ele possui outros trabalhos, mas por hora o que interessa é Transfiguration: uma das coisas mais densas que eu conheço em termos de performance, uma das coisas mais perturbadoramente belas que eu já vi. Saque esses 2 trechos, longos mas ainda assim trechos, de duas apresentações de Sagazan que fazem parte do Transfiguration, até onde eu sei os nomes são “La Demeure du Chaos” e “O”. Pago pau fodidamente, shora Dimmu Borgir.

O silêncio e o eco presentes no trabalho por si só já são fuderosos, mas experimente adcionar a trilha mais perturbadora que você tiver, vai dar resultado facilmente. Fico imaginando esse troço na frente de alguma coisa como… como…como…

Alto grau na escala de malevolência, Tr00


O surreal obscuro de Joel Peter Witkins.

Voltemos aqui com um pouco de arte. Joel Peter Witkins, o cara fotografa misturando gente com alterações genéticas; cadáveres; animais; objetos altamente simbólicos e qualquer outra coisa que dê o clima certo ao trabalho. Fora todo o rolé que deve ser pra achar as coisas a serem fotografadas, ele dá às fotos um tratamento; que vai da química ao desgaste manual dos filmes, invejável. Toda a obra dele possui esse clima surreal mórbido que pouurann… é foda. Todo esse universo foi construído, quase como se fosse orquestrado, de uma forma extremamente harmoniosa ao longo da trajetória dele. Presenciar mortes humanas na infância, contato com freakshows, servir ao exército em guerras e pais extremamente religiosos, de religiões diferentes vale salientar, fazem parte do caldeirão que resultou em um dos fotógrafos mais drááá que eu conheço…

Woman with severed head. 1982

Mother of the future. 2004

Story from a book. 1999

Os trabalhos de Witkins são muito conhecidos e polêmicos, justamente pela parte de usar cadáveres. Confesso que alguma coisa me faz ficar bem mais incomodado com os trabalhos que ele utiliza animais que com trabalhos com um pedacinho de morto aqui ou ali. Eu poderia postar aqui uma ultra galeria com vários e vários trabalhos dele, mas tenho certeza que você sabe usar o google; juro, não dá trabalho.

Le balsier. 1982

Portrait of a Dwarf. 1987

Witkins tem mestrado em artes pela universidade do Novo México até onde eu sei,  joga desgraçadamente com toda uma referência visual às obras renascentistas e com os primórdios da fotografia nas fotos que faz… além das referências surreais óbvias. Simplesmente: mais foda que 90% (ou mais) das capas de álbuns de bandas altamente du mal existentes por ai, só digo isso pra você do mundo, do rock.