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A cidade é pequena para nós 2

Um tempinho desde que eu anunciei algum rolé por aqui, pois bem; vá pra esse, vai valer a pena. Nada mais atraente para uma noite de quinta feira, véspera de feriado, que um rolé com gente suja ouvindo barulheira alta bagaraio num pico infernoso qualquer. E ainda rola uma “campanhazinha” onde quem for de bike e chegar nas pressas leva um CD ai de brinds, super válido. Quem for ao rolé e não sacar muito do que pode rolar por lá se prepare pra ver um combo com algumas das bandas mais hypes do hardcore nordestino atuais, dizem ainda que talvez role rango vegan nesse rolé ai; além das clássicas banquinhas de coisas pra vender.

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Mass & Volume, EP novo da Pig Destroyer.

A banda com algumas das letras mais fodas do grindcore acabou de lançar um EP novo, de pura lentidão; ambiência e peso. O EP Mass & Volume sai pela Relapse Records depois do recém lançado Book Burner, da mesmíssima gravadora, que também bate forte na categoria “rapidez e maldade” e marca meio que uma retomada dos trabalhos pelo grupo, o qual estava +- parado há algum tempinho. O material não é a primeira coisa na linha “doom/sludge” que a Pig Destroyer lança, já havira rolado o Natasha um tempo atrás. Maaaaas o pessoal da banda decidiu desengavetar o trampo, gravado na época do Phantom Limb, e a gente só tem o que celebrar. Queima mundo, queima!

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+- Ps:Se você quiser comprar o EP, dá pra fazer isso aqui, o lance vem com encarte em PDF e tem toda a renda revertida pra família de um recém falecido funcionário da Relapse.


Não há planos, nunca houve um plano – Entrevista, Oathbreaker

Eu já falei um bocadinho sobre essa banda aqui no blog, mostrei clip; cartaz de tour e o escambau. Tá meio que no topo da lista de “descobertas +- recentemente” e eu indico pra qualquer pessoa de bem nesse mundo da camisa preta e bufenta, o bagulho é tenso, denso e chei de raiva. Dai, corri atrás desse papo e rapidamente vieram as respostas, bem formais até. Elas estavam esperando eu criar vergonha na cara o tempo certo para serem publicadas. Quem respondeu o lance foi o Ivo, que toca bateria na banda. E rapidamente nós falamos sobre coisas que foram, de certa forma, pouco abordadas em outras entrevistas que a banda já fez por ai. Lá vai…

Le Guess Who festival, Utrecht, Saturday 1st of December with Amenra. Pic by Tim van Veen

H – Eu tenho notado que bandas mais “metálicas” e “dark Hardcore” tem ganhado popularidade,  há até uma certa onda de posts mais ou menos do tipo “como se vestir como um crustie” em blogs… não que o punk não seja moda desde sempre. Maaaas, estamos lidando com uma torrente disso e de alguma maneira uma ou duas bandas estão sendo beneficiadas com essa coisa toda. Vocês acham que se enquadram nessa categoria? Vocês veem algum problema nisso?

Ivo – Existem posts ensinando a como se vestir igual a um crustie? É a primeira vez que eu escuto algo sobre isso! Eu não sei se a gente se encaixa em algum tipo de modinha, nós definitivamente nunca tentamos ser parte de uma. Começamos em 2008 tocando o que a gente queria tocar e continuamos apartir disso. Não é novidade que pessoas vão sempre querer se encaixar em movimentos undergrounds, eu só posso esperar que as pessoas entendam que nós somos uma banda verdadeira. A única razão pela qual a Oathbreaker existe é porque nós queremos que ela exista e nós precisamos que ela exista. Não há planos, nunca houve um plano.

H – Dividir o guitarrista com a AmenRa faz com que as pessoas esperem um som atmosférico e denso. Ao fazer um álbum inteiro baseado no siginifcado das cartas do tarô, eu acho que a banda contribui para essa ideia. Mas essa é a meta da OathBreaker, atingir tanta densidade que chegue a beirar um tipo de espiritualidade?

Ivo – Eu acho que há espiritualidade em todas as coisas, tudo depende de como você experiencia algo pessoalmente. Eu sou ateu, mas para mim a música é algo espiritual. Tendo isto sido dito, eu acho que Caro queria contar uma história pessoal em Mæstrøm e usou as imagens do tarô como base para as letras porque ela sentiu similaridades entre o que nós queríamos dizer e o que as cartas siginificam. No momento em que você faz algo de forma muito pessoal, isso quase que automaticamente se torna espiritual. Mas não é a nossa meta, é algo que acontece.
H – Como eu disse antes, e qualquer pessoa que busca informações sobre a banda sabe, Mæstrøm foi inspirado pelo siginificado das cartas do tarô. Vocês pretendem continuar produzindo álbuns “conceituais”? Como por exemplo “uma música para capítulo deste livro” ou algo do tipo?

Ivo – Na verdade, não. Produzir um álbum é um processo que demanda muito e você nunca sabe ao certo como vai ser. Fazer um álbum é um trabalho árduo, sacrificante e onde você espera que no final tudo consiga se encaixar. Nós estamos próximos à gravação do nosso próximo trabalho e mesmo nesse ponto, eu não tenho certeza de como vai ser.

H – Vocês lançaram o Mæstrøm, que recebeu ótimas críticas, e tocaram num monte de lugares; quais os planos para 2013.?

Ivo –  Em março, nós iremos gravar nosso próximo álbum no GodCity Studios em Salem, MA. Pouco depois, temos alguns shows marcados aqui e ali, mas além disso; nós não sabemos. Nosso foco principal agora é finalizar o álbum, o resto pode esperar.H – Os vídeos de Origin e Glimpse of the Unseen são desgraçadamente intensos, há uma bela simplicidade obscura neles, e vocês parecem ser bastante cuidadosos com os aspectos visuais da banda. Fotos, Flyers e tal… quem os cria e como vocês enxergam este lado da Oathbreaker?

Ivo – Tudo que você mencionou foi criado por pessoas diferentes, mas obviamente você sempre escolhe trabalhar com pessoas com as quais você se conecta. Algumas coisas foram nós mesm@s, algumas outras foram outras pessoas. Mas no fim das contas, você tem que se sentir confortável com tudo. Nós tentamos colocar tanto esforço no aspecto visual quanto colocamos na nossa música, porque os dois lados precisam trabalhar juntos e não um contra o outro.
H – Provavelmente a cena belga não é muito bem conhecida aqui no Brasil, como provavelmente a brasileira não é na Bélgica. O que você pode dizer sobre ela, de selos a pivetes com patches nas camisas? E sobre vir de um lugar que não é, digamos assim, focado pela cena hardcore mundial?
Ivo – Como a maioria das cenas, a belga vem e vai em ondas. Algumas vezes, nada acontece e de repente todas as peças se juntam e você tem uma cena hardcore fervilhando. Exatamente agora a cena está bem pequena e inativa, mas eu tenho uma sensação de que alguma coisa vai acontecer e tirar todo mundo dos seus lugares. Além disso, há bandas realmente muito boas atualmente na Bélgica. Procure Rise and Fall, AmenRa, Hessian, Blind Faith, The Black Hearth Rebelion, Toxic Shock, Imaginary Dictionary, Reproach
H – Caro possui uma voz capaz de atingir timbres ásperos e bonitos, como dá pra sacar no Mæstrøm, e provavelmente já perguntaram pra vocês mais de uma vez se há planos de explorar mais isso. Então, há?
Ivo – Nós tentamos evoluir nosso som como banda e tentamos explorar novas ideias e direções. Na música Agartha, que nós fizemos para o Split com a AmenRa, nós já experimentamos como vocais diferentes, se parecer adequado; nós certamente tentaremos outras coisas também.

H – A cena hardcore está imbricada com uma boa dose de política, ou de pessoas que pensam que estão mudando o mundo. Em entrevistas , vocÊs mais de uma vez disseram que isso não faz parte da Oathbreaker como um grupo, mas vocês como indivíduos possuem algum tipo de envolvimento. Então, não dá para negar que isto acaba influenciando a banda de alguma forma, como?

Ivo – Na verdade não influencia. Oathbreaker são quatro pessoas diferentes com perspectivas diferentes e históricos diferentes, mas nós encontramos nossos pontos em comun na nossa amizade. É claro, tudo que nós fazemos/dizemos como indivíduo sempre será ligado à Oathbreaker, mas até agora isto não foi um problema.
 
H – Se há alguma coisa que você queira dizer para as pessoas no Brasil que não conhecem e gostam da Oathbreaker…
Ivo – Sim, eu falei para vocês sobre a cena da Bélgica, me digam algo sobre a cena do Brazil! Obrigado pela entrevista eu estou lisjogeado pelo fato de que pessoas a meio mundo de distância se importem com coisas que nós criamos durante nossos ensaios.


A trilogia do silêncio

Eis aqui uma verdadeira pedrada vinda diretamente do mundo do cinema no meio da sua cara, embalada num pacote estético absurdo. Simplesmente pelo fato de serem antigos e em tons de cinza, os filmes tem sua carga dramática drásticamente intensificada, o que acaba combinando extremamente bem com o tom metafísico das problemáticas apresentadas nas narrativas. Esses filmes de Ingmar Bergman questionam intensamente a tentativa de contato do ser humano com o divino por um lado, pondo este como inxistente; indiferente ou algo próximo a isso. Pelo outro, eles exploram a dificuldade existente na comunicação do ser humano com seus semelhantes e os devastadores conflitos existentes no convívio íntimo gerado por ela. Um dos grandes brilhos do cinema de Bergman é não jogar respostas, assim como aquilo que entendemos hoje como as boas obras; eles lançam perguntas… e são perguntas difíceis, extremamente difíceis.

Quase tudo hoje em dia no cinema de entretenimento é ou vira trilogia por motivos puramente comerciais, mas esses filmes são de beeeem antes disso. São de uma época em que fazer trilogia geralmente siginifcava ter algo a se dizer e, incrívelmente, são, segundo o próprio Bergman, fruto de uma onda de trilogias. Mas esses filmes certamente dizem algo, algo que não é fácil de ser digerido ou dito. E como são conhecidos em conjunto, nos deixam em silêncio; pensando sobre o silêncio; ou tentando suportar o silêncio.

O primeiro filme da trilogia conta um drama familiar temperado com uma boa dose de algo como uma esquizofrenia misturada a incesto; indiferença; isolamento e dúvidas. Um corpo que definha e leva junto a mente, ou o inverso, arrastando consigo, em seu definhar, todo um grupo de pessoas.

No segundo filme, temos uma pequena comunidade dos fiéis de uma paróquia abalada por medos gigantescos; um balé de amor e ódio e a morte, e um pastor dividido entre o esforço hercúleo de condizir a todos e a desistência frente às suas imensas dúvidas. O inverno se apresenta como o fim dos ciclos, onde não resta ou resta pouca vida e o filme apenas nos dá um vislumbre de um possível recomeço.

No terceiro filme o silêncio divino encontra seu ápice. Duas irmãs viajam juntamente com o filho de uma delas e sua incomunicabilidade atesta o total silêncio existente na dimensão metafísica e na cotidiana. Quando não há o silêncio, há a incompreensão; o diferente e o outro e isto é apresentado como algo tão, ou mais, horrível que o silêncio.

O próprio silêncio intensamente presente nos filmes de Bergman se mostra como elemento significante nessas obras, quando o peso do silêncio parece esmagar e sufocar as pobres criaturas perdidas nos infortúneos da existência.

Veja os 3 em sequência, de uma vez só se possível. Mais e um pouco mais sobre a trilogia.


Pausa

Porque sabe-se muito bem que, no carnaval, sair de preto é suicídio.

Pintura das camisas domingo pela manhã, na subsessão localizada no bairro da Mustardinha; Recife.

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Não deixe o grind moreeeeerr!! Não deixe o grind acabaaaarr…


Meio obscuro, meio melódico, meio alguma coisa: Skin Like Iron

Surgida em 2006 em San Francisco, EUA, e com uma penca de lançamentos por uma penca de gente diferente nas costas, a Skin Like Iron vem chamando um bocado de atenção pela sua mistura de melodia com peso com velocidade com instigação com raiva e riffs bonitins e pegajosos. É um tipo de som que faz a pessoa se jogar do palco como se não houvesse chão e entrar no rolé pront@ pra perder 2 dentes. A banda é mais uma das que ficam na categoria “dark-melodic” ou algo do tipo, com letras indo meio que por ai; uma coisa deprê/nihilismo.

Uma pequena pausa para falar das capas dos trabalhos da Skin Like Iron. Putamerda, elas são foda! Você tem todo o clima “sou profundo” que as letras tentam passar, dai as capas trazem uma noção praticamente espiritual sobre o lance. Shoray. Elas me remetem ao universo à vida e tudo mais, talvez ainda mais que isso.

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Há um bocadinho de tempo não rola alguma novidade sobre a banda e nem sei se ela ainda tá na ativa, mas vale mesmo assim dar uma sacada nos sons com “calma”. É mais que óbvio que rola de escutar pela internet um monte de sons deles e fazer download de outros tantos, o bandcamp da Skin Like Iron é quase um prato cheio. De bônus rola ainda esse show inteiro aqui, pra sacar sussa.